A programação da Arena 120 Ideias durante o Concrete Show 2026 levou ao público o que há de mais inovador para a cadeia construtiva. Uma das apresentações nesse palco foi a “Sustentabilidade na Construção: uso do Concreto de Baixo Carbono”, com Cleiton Coelho, gerente de Tecnologia e Inovação na Max Mohr, e Rafael Diaz, diretor Sênior América Latina da CarbonCure.
A Max Mohr, empresa catarinense fundada em 1969, mantem parceria com a canadense CarbonCure para implementação de tecnologia de injeção de CO2 no concreto. O objetivo, segundo Coelho, é contribuir para a sustentabilidade através do concreto.
Conheça mais dessa tecnologia e como o CO2 reage à aplicação.
A tecnologia de injeção
O sistema desenvolvido pela startup canadense, fundada em 2012, realiza a injeção de CO2 em fase líquida diretamente no concreto fresco. “O sistema da CarbonCure pega o CO2 em fase líquida e faz a injeção direta no concreto fresco”, explicou Rafael Diaz.
A dosagem utilizada varia entre 0,1% e 0,25% do peso do cimento. Durante a aplicação, o CO2 passa por transformação física: “Quando ele vai fazer a injeção no ponto de carga, ele transforma em uma neve que praticamente vira um gelo seco. Esse gelo seco é o que vai para dentro da betoneira”, detalhou.
Reação química e ganhos técnicos
A tecnologia promove uma reação química entre água, cimento e CO2, resultando na mineralização de nanopartículas.
Os estudos realizados no laboratório da CarbonCure no Canadá demonstraram ganho médio de resistência entre 4 a 5 MPa em 28 dias, sem redução de cimento. Com a otimização do traço, foi possível reduzir em média 5% do aglomerante mantendo a resistência inicial.
A Max Mohr iniciou a operação com o sistema em março de 2025, após período de estudos desde 2023. A empresa realizou testes em laboratório para determinar a dosagem ideal. “A gente notou que foi crescente. Foi crescendo a resistência a cada aumento de CO2”, afirmou Cleiton.
Os estudos indicaram que a redução ótima é de 4% no aglomerante para o consumo testado, resultando em redução de 12 kg de aglomerante por metro cúbico.
Até o momento da apresentação, a central de Porto Belo (SC) já havia produzido mais de 100.000 metros cúbicos de concreto com o sistema. A média mensal de produção está entre 6.000 e 8.000 metros cúbicos.
Aspectos de sustentabilidade
A tecnologia atua em duas frentes ambientais: a injeção de CO2 poluente no concreto e a redução do consumo de cimento.
A empresa possui certificação ISO 9001 desde 2016, sendo a primeira do segmento em Santa Catarina. A CarbonCure estabeleceu meta de remoção de 500 toneladas de CO2 por ano e recebeu prêmio de descarbonização da cadeia produtiva.
Entre os investidores da CarbonCure estão Microsoft, Amazon, Samsung e Mitsubishi. “Algumas das maiores investidoras em empresas que ajudam o meio ambiente no planeta”, informou Rafael.
Benefícios operacionais e comerciais
Cleiton Coelho enfatizou a simplicidade operacional: “Eu gostaria que todos os aditivos dessem o mesmo trabalho operacional que o CO2. O fornecedor tem um sistema de abastecimento, ele monitora e só avisa o dia da entrega, então eu queria que aditivo fosse assim. Zero trabalho na parte operacional”.
A tecnologia ainda oferece vantagens comerciais. “Além dos ganhos financeiros diretos da redução do aglomerante, a gente tem ganhos de marketing”, afirmou Cleiton, mencionando que empresas já começam a se movimentar em departamentos de sustentabilidade, buscando fornecedores com soluções mais verdes para obter vantagens em licitações.
A CarbonCure disponibiliza acompanhamento em tempo real da produção, incluindo quantidade de concreto produzido, toneladas de CO2 removidas da atmosfera e equivalência em hectares de floresta, demonstrando o compromisso com transparência nos resultados ambientais da tecnologia.