A busca por produtividade, redução de etapas e maior segurança nas operações vem mudando o perfil das necessidades da construção civil. Na Concrete Show 2026, fornecedores de diferentes elos da cadeia apresentaram soluções para desafios recorrentes nos canteiros e nas fábricas de pré-moldados. As novidades respondem a demandas por produtividade, industrialização e segurança na movimentação de cargas.
Entre os expositores, aparecem soluções que vão da fabricação de kits elétricos e hidráulicos à utilização de materiais de alta performance para içamento, passando por equipamentos destinados à produção de estruturas pré-moldadas. Em comum, as tecnologias buscam reduzir a complexidade das operações, ampliar a produtividade e oferecer maior previsibilidade aos processos.
Industrialização chega à montagem de instalações
Um dos movimentos apresentados na feira é a transferência de parte das atividades do canteiro para ambientes industriais controlados. É o modelo adotado pela Liga Facil Sistema Sky Master, que apresentou na Concrete Show sistemas de fixação para instalações de esgoto e prumadas, além de kits elétricos e hidráulicos industrializados.

Segundo Victor Hugo Lopes, CEO da Liga Facil Sistema Sky Master, a empresa passou a apresentar na feira soluções de fixação que já vinham sendo desenvolvidas há cerca de dois anos, como abraçadeiras, suportes e sistemas para ralos.
O principal ganho, porém, está na industrialização dos kits. A empresa recebe os materiais adquiridos pela construtora, realiza a montagem em sua fábrica e entrega os conjuntos de acordo com o avanço da obra.
“Você ganha tempo e agilidade e redução de custos, porque a gente industrializa o canteiro de obra”, afirmou Lopes.
O modelo também busca reduzir a necessidade de armazenamento e controle de estoque no canteiro. Em vez de concentrar grandes volumes de materiais na obra, os componentes permanecem na fábrica e são enviados conforme a demanda.
A estratégia responde ainda a um dos gargalos mais citados atualmente pelas empresas de construção: a disponibilidade de trabalhadores especializados. Para Lopes, a dificuldade de mão de obra nos canteiros aumenta a relevância de soluções capazes de deslocar atividades para processos industrializados e mais padronizados.
A demanda gerada por esse movimento também se reflete na participação da empresa na feira. “A Concrete Show é o principal evento nosso no ano. Nas semanas após o evento, temos um boom de orçamento e vendas”, relata.
Içamento ganha materiais de maior performance
Outro eixo de inovação apresentado na feira está relacionado à movimentação de cargas. A Acro Cabos levou à Concrete Show soluções para amarração e elevação, incluindo uma nova geração de cintas de fibra sintética de alta performance.
De acordo com Fernando Fuertes, da área de Desenvolvimento de Negócios da empresa, o material utilizado é o HMPE, um polietileno de alto módulo que, segundo a companhia, apresenta resistência significativamente superior à do aço em determinadas aplicações.
As cintas tubulares, combinadas a capas de proteção desenvolvidas pelo fornecedor, são direcionadas especialmente a operações de grande porte. A empresa informa que o conjunto pode alcançar cargas de ruptura da ordem de 6 mil toneladas.
A aplicação interessa particularmente às obras pesadas e aos projetos que envolvem movimentação de estruturas de grandes dimensões. Uma das vantagens apontadas é a possibilidade de trabalhar com materiais mais leves e de fácil manuseio sem abrir mão da capacidade de carga.
“Você acaba conseguindo especificar materiais extremamente leves, de fácil manuseio, extremamente seguros e resistentes contra cortes, abrasão e tudo mais”, explica Fuertes.
A empresa também apresentou cabos de fibra sintética customizados para operações de içamento. A especificação pode considerar a capacidade de carga, o fator de segurança e o comprimento necessário para cada operação.
A customização acompanha uma tendência de maior adequação dos equipamentos às características específicas de cada obra, especialmente em projetos de infraestrutura e montagem de estruturas pré-moldadas, nos quais a movimentação de grandes peças é uma etapa crítica.
Segurança passa pela inspeção dos equipamentos
No segmento de movimentação de cargas, entretanto, o avanço dos materiais não elimina a necessidade de controle operacional. A inspeção, a correta seleção dos equipamentos e a capacitação dos profissionais aparecem como parte importante da segurança.
A Acro Cabos também oferece treinamento para usuários, abordando a escolha do material, o uso adequado e os procedimentos de inspeção. Segundo Fuertes, a verificação deve fazer parte da rotina antes de cada utilização.
“É muito importante que as empresas tenham a consciência de que esses materiais necessitam ser inspecionados antes de cada uso pelo usuário”, afirma.
A preocupação se estende aos diferentes componentes envolvidos na operação, desde os cabos dos guindastes até cintas, correntes e acessórios utilizados abaixo do gancho. A empresa também atua com cabos de aço destinados a guindastes e equipamentos utilizados na montagem e verticalização de estruturas.
O tema ganha relevância em um mercado no qual a construção industrializada e o uso de elementos pré-moldados ampliam a dependência de operações de içamento. A montagem de galpões e outras estruturas de grande porte exige planejamento não apenas da fabricação dos componentes, mas também de sua movimentação e instalação.
Equipamentos acompanham avanço dos pré-moldados
A industrialização da construção também aparece na oferta de equipamentos para fabricantes de pré-moldados. A Forma Forte apresentou na Concrete Show soluções voltadas à estruturação de fábricas, incluindo sistemas de movimentação, centrais de concreto, máquinas para tubos e equipamentos destinados à produção de elementos utilizados nos pré-moldados.
Segundo Camila Souza, da área de marketing da empresa, a companhia atua no fornecimento de máquinas e estruturas necessárias para que o cliente organize sua operação industrial.
Entre as soluções está a estribadeira Power 12, apresentada como um dos destaques da empresa na edição de 2026. O equipamento é destinado ao corte e conformação de aço utilizado nas formas de pré-moldados e pode trabalhar com barras de até 12 milímetros.
“A robustez maior da máquina facilita bastante”, afirma Camila, ao explicar a aplicação do equipamento para a conformação de aços mais espessos.
A oferta de equipamentos específicos para fábricas de pré-moldados reforça a expansão de modelos construtivos nos quais parte crescente da execução ocorre fora do canteiro. Nesse cenário, a produtividade passa a depender também da capacidade instalada das fábricas, da movimentação interna dos componentes e da eficiência dos equipamentos utilizados na preparação das peças.
Eficiência deixa de ser apenas velocidade
Os lançamentos apresentados na Concrete Show indicam que a busca por produtividade na construção está associada a um conjunto mais amplo de fatores. Reduzir tempo de execução, diminuir a necessidade de mão de obra no canteiro, controlar estoques, aumentar a segurança e padronizar operações são objetivos que aparecem de forma integrada nas soluções apresentadas.
Nesse contexto, a industrialização não se limita à fabricação de grandes elementos estruturais. Ela também avança sobre etapas tradicionalmente executadas diretamente na obra, como a preparação de instalações elétricas e hidráulicas.
Ao mesmo tempo, o crescimento de operações de montagem e pré-fabricação aumenta a importância de equipamentos de movimentação capazes de lidar com cargas cada vez maiores, sem perder de vista requisitos de segurança, inspeção e rastreabilidade.
A própria experiência dos expositores durante a feira sinaliza o interesse do mercado por essas soluções. A Acro Cabos, que participou pela primeira vez da Concrete Show, relatou um movimento acima das expectativas e recebeu visitantes principalmente ligados ao segmento de pré-moldados e obras de concreto.
Mais do que apresentar novos produtos, portanto, os fornecedores expostos na feira evidenciam uma transformação na lógica de produtividade da cadeia construtiva: ganhar eficiência passa cada vez menos por acelerar uma única etapa e mais por redesenhar processos, industrializar atividades, qualificar operações e reduzir variáveis dentro e fora do canteiro.