Um dos grandes desafios enfrentados pela pavimentação de concreto no Brasil sempre foi o tempo necessário para a recuperação de trechos de rodovias, especialmente em situações que exigem intervenções rápidas e seguras. Esse gargalo, amplamente reconhecido por entidades governamentais e pelo setor privado responsável pelas concessões rodoviárias, está sendo superado com o uso do concreto de altíssima resistência inicial.

Esse será um dos temas abordados no Concrete Show 2026, durante o Congresso Construindo Conhecimento, que ocorrerá de 25 a 27 de agosto no São Paulo Expo.

Segundo o coordenador de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Votorantim, João Lyrio Ramos, essa tecnologia permite que trechos de rodovias em manutenção sejam recuperados com a mesma qualidade – ou até superior – à pavimentação original, mas em um tempo significativamente menor. “Na prática, estamos falando de um concreto que possibilita a recuperação de um trecho com alta velocidade, garantindo que o tráfego seja retomado rapidamente e com total segurança”, explica.

A agilidade proporcionada por esse tipo de concreto não apenas reduz o impacto para os usuários das rodovias, mas também traz benefícios diretos à segurança. “Quando há necessidade de intervenção e uma pista precisa ser fechada, um dos maiores ganhos, além da rapidez, é a segurança. Isso é algo que muitas vezes não é mensurável economicamente, mas é essencial para quem trafega por esses trechos”, destaca o especialista.

Além disso, a utilização do concreto de altíssima resistência inicial agrega praticidade e eficiência às obras. Essa inovação representa um avanço significativo para o setor de infraestrutura no Brasil, alinhando tecnologia, qualidade e segurança em benefício dos usuários.

Tecnologia que reduz dias de obra para horas impulsiona logística e economia

A recuperação de rodovias, tradicionalmente, exige um período de até sete dias para que o concreto atinja a resistência e a cura necessárias antes de liberar o tráfego. No entanto, com o uso do concreto de altíssima resistência inicial, essa espera é reduzida drasticamente para apenas 2 a 3 horas. “Estamos falando de uma redução de dias para poucas horas, o que, em termos percentuais, é algo estratosférico”, destaca Ramos.

Um exemplo prático pode ser observado em uma obra no acesso ao Porto de Paranaguá. Durante a intervenção, as obras eram realizadas durante a madrugada, e, ao amanhecer, a área já estava liberada para uso. “Os usuários do porto mal percebiam que uma obra de recuperação estava em andamento, tamanha a rapidez e eficiência do processo”, explica o especialista.

Além da agilidade, os benefícios econômicos são significativos, especialmente em trechos estratégicos, como acessos a portos, indústrias e outras áreas de grande movimentação. “Estamos falando de cifras milionárias que podem ser economizadas em obras pontuais, graças à redução do tempo de interrupção e ao impacto positivo na logística”, ressalta.

Desafios técnicos e logísticos

A implementação do concreto de altíssima resistência inicial, embora seja um processo eficiente, exige atenção a pontos específicos, técnicos e logísticos. “É algo bastante minucioso, principalmente no que diz respeito aos equipamentos necessários para o transporte e aplicação desse concreto”, afirma Ramos.

Entre os principais desafios está a necessidade de caminhões especializados para o transporte e a mistura do concreto. Diferentemente do concreto tradicional, o de altíssima resistência inicial não pode ser transportado em caminhões betoneira comuns.

“Devido à velocidade com que esse concreto ganha resistência, uma betoneira comum poderia concretar o próprio balão, endurecendo o material dentro do equipamento”, alerta o especialista. Por isso, são necessários caminhões específicos, projetados para misturar o cimento com os agregados de forma adequada e segura.

Além dos equipamentos, a dosagem do concreto também apresenta desafios técnicos. “O processo de dosagem é muito semelhante ao do concreto tradicional, pois buscamos sempre utilizar a menor quantidade de cimento possível, reduzindo o impacto ambiental e os custos econômicos”, afirma o especialista. No entanto, o uso de aditivos químicos e a influência das condições climáticas tornam o processo mais complexo. “A variação do clima pode exigir ajustes na dosagem de aditivos, o que impacta diretamente na resistência e na qualidade do concreto”, acrescenta.

Diante desse cenário, o mercado brasileiro já conta com diversos parceiros e fornecedores que oferecem os equipamentos necessários para a aplicação dessa tecnologia.

Transforma obras e reduz impactos logísticos e ambientais

A aplicação do concreto de altíssima resistência inicial tem se destacado como uma solução inovadora e eficiente para obras de recuperação de pavimentos, especialmente em locais de tráfego intenso, como portos e rodovias. Um exemplo emblemático dessa tecnologia foi a intervenção realizada no Porto de Paranaguá, no Paraná, onde a recuperação da pavimentação de acesso ao porto foi concluída em tempo recorde.

“Era necessário realizar intervenções na pavimentação de concreto da rodovia de acesso ao porto, um local com tráfego intenso de caminhões e uma logística extremamente sensível. Parar o acesso ao porto significaria uma perda financeira e logística muito grande para o estado do Paraná e para o próprio porto”, explica um especialista envolvido no projeto.

A solução foi aplicar o concreto de altíssima resistência inicial, que permitiu que as obras fossem realizadas durante a noite, com o tráfego liberado em poucas horas. “O processo começava por volta das 20h, com a remoção do pavimento danificado e a preparação do trecho. Após a aplicação do concreto, em cerca de três horas, o tráfego já estava liberado para caminhões e carros. Às 5h ou 6h da manhã, tudo estava concluído”, detalha o especialista.

Essa rapidez impressionou até mesmo os representantes do porto e da cidade. “Eles só percebiam que havia uma obra em andamento quando viam o pavimento recuperado. Para quem passava pelo trecho de manhã, parecia mágica”, comenta.

Impactos ambientais e logísticos reduzidos

Além da agilidade, o concreto de altíssima resistência inicial traz benefícios significativos para o meio ambiente e a logística. “Intervenções longas, que normalmente duram uma semana ou, no mínimo, três dias, são reduzidas para apenas três horas. Isso elimina congestionamentos prolongados, onde veículos parados emitem gás carbônico, e reduz o impacto ambiental”, afirma o especialista.

A tecnologia também se destaca por sua durabilidade. “Enquanto uma solução asfáltica tem uma vida útil limitada, o pavimento de concreto de altíssima resistência pode durar no mínimo 20 anos, oferecendo um retorno econômico e ambiental muito maior”, explica.

Viabilidade econômica e aplicações estratégicas

Apenas 2% a 3% das rodovias pavimentadas no Brasil utilizam concreto, segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). O uso desse concreto beneficia não apenas o meio ambiente, mas também a economia e a sociedade como um todo. “Terminais rodoviários, portuários e logísticos, onde a interrupção de atividades significa prejuízos financeiros, podem se beneficiar enormemente dessa solução. A rapidez na recuperação de pavimentos garante que as operações não sejam interrompidas por longos períodos”, destaca o especialista.

Além disso, a tecnologia tem se mostrado essencial em situações de emergência, como acidentes em rodovias ou desgastes causados por condições climáticas adversas. “Essa solução veio suprir uma dor antiga do setor rodoviário, onde a recuperação de pisos era um processo demorado e custoso”, acrescenta.

Crescimento e futuro promissor no Brasil

Embora a tecnologia já seja amplamente utilizada em países como a Austrália, onde serviu como benchmark, sua implementação no Brasil tem crescido de forma exponencial. “Desde que trouxemos essa solução para o Brasil, temos observado um crescimento muito nítido em diversos setores, como concessões de rodovias, terminais portuários e rodoviários. O futuro é promissor, pois já temos um presente muito robusto e em constante expansão”, conclui o especialista.

Case Porto de Paranaguá

Um case do uso dessa tecnologia é a intervenção realizada no Porto de Paranaguá, no Paraná. A recuperação da pavimentação de acesso ao porto, um ponto estratégico para o escoamento de cargas no estado, foi concluída em tempo recorde, minimizando os impactos no tráfego intenso da região.

De acordo com Ramos, especialista envolvido no projeto, a obra enfrentava entraves logísticos significativos devido ao fluxo constante de caminhões e à sensibilidade das operações portuárias. “Parar o acesso ao porto significaria uma perda financeira e logística muito grande para o estado do Paraná e para o próprio porto”, reforça.

Ele explica que a utilização do concreto de altíssima resistência inicial possibilitou a realização das obras durante a noite, com liberação do tráfego em poucas horas. “O processo começava por volta das 20h, com a remoção do pavimento danificado e a preparação do trecho. Após a aplicação do concreto, em cerca de três horas, o tráfego já estava liberado para caminhões e carros. Às 5h ou 6h da manhã, tudo estava concluído”, detalha o especialista.

Impactos ambientais e logísticos reduzidos

Além da agilidade, o concreto de altíssima resistência inicial traz benefícios significativos para o meio ambiente e para o setor logístico. “Intervenções longas, que normalmente duram uma semana ou, no mínimo, três dias, são reduzidas para apenas três horas. Isso elimina congestionamentos prolongados, onde veículos parados emitem gás carbônico, e reduz o impacto ambiental”, afirma o especialista.

A tecnologia também se destaca por sua durabilidade. “Enquanto uma solução asfáltica tem uma vida útil limitada, o pavimento de concreto de altíssima resistência pode durar no mínimo 20 anos, oferecendo um retorno econômico e ambiental muito maior”, explica.

Além disso, tem se mostrado essencial em situações de emergência, como acidentes em rodovias ou desgastes causados por condições climáticas adversas. “Essa solução veio suprir uma dor antiga do setor rodoviário, onde a recuperação de pisos era um processo demorado e custoso”, acrescenta.

Infraestrutura rodoviária brasileira

A Pesquisa CNT de Rodovias 2025, divulgada em dezembro, destacou avanços pontuais na malha rodoviária pavimentada do Brasil, mas reforçou os desafios estruturais ainda existentes. O estudo avaliou 114.197 quilômetros de rodovias, considerando pavimento, sinalização e geometria das vias.

Os dados mostram que 37,9% das rodovias foram classificadas como Ótimas ou Boas, um aumento em relação aos 33% registrados em 2024. Por outro lado, os trechos em condições Ruim ou Péssima caíram de 26,6% para 19,1%. Apesar da melhora, 43% das rodovias permanecem em estado Regular, o que, segundo o estudo, indica um estágio inicial de deterioração que pode evoluir para condições críticas sem intervenções adequadas.

O pavimento foi apontado como o principal fator de impacto no desempenho das rodovias. Mais da metade da extensão avaliada apresenta problemas como trincamentos e afundamentos, elevando os custos operacionais do transporte em 31,2% e gerando desperdício de mais de 1,2 bilhão de litros de diesel por ano, com impacto ambiental significativo.

Crescimento e futuro promissor no Brasil

Embora amplamente utilizdo em países como a Austrália, onde serviu como benchmark, sua implementação no Brasil tem crescido de forma exponencial. “Desde que trouxemos essa solução para o Brasil, temos observado um crescimento muito nítido em diversos setores, como concessões de rodovias, terminais portuários e rodoviários. O futuro é promissor, pois já temos um presente muito robusto e em constante expansão”, conclui o especialista.

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