A execução de subsolos é uma realidade crescente face à limitação de espaço nos grandes centros urbanos. No entanto, construções em regiões com lençol freático ativo impõem severas exigências técnicas. A presença contínua de água e a alta pressão hidrostática podem comprometer a estrutura, causando degradação do concreto, corrosão das armaduras e problemas de insalubridade por fungos e umidade.

O principal desafio na definição de soluções para essas áreas reside na gestão de grandes volumes de água e na mitigação de problemas pós-obra. Tradicionalmente, falhas de estanqueidade em subsolos acabam sendo mascaradas com a execução de paredes de fechamento (como alvenaria ou painéis de PVC) apenas para ocultar a infiltração dos usuários, sem resolver a manifestação na estrutura. Nesse cenário, o Sistema White Tank destaca-se como uma solução robusta, alterando a abordagem de projeto ao transformar a própria estrutura de concreto na barreira impermeável.

Características Técnicas e Funcionamento do Sistema White Tank

O Sistema White Tank não é apenas um produto, mas um conjunto integrado focado na estanqueidade do concreto e em suas interfaces. Sua base de funcionamento consiste na incorporação de um aditivo redutor de permeabilidade por cristalização capilar integral (adicionado na proporção de 0,8% a 1% sobre o peso do cimento) durante a produção do concreto.

Tecnicamente, os compostos ativos do aditivo reagem com os subprodutos da hidratação do cimento e a umidade, formando uma rede de cristais insolúveis. Estes cristais colmatam os poros capilares e promovem a autocicatrização de fissuras passivas de até 0,5 mm. Como a cristalização ocorre dentro da matriz do concreto, ele se torna capaz de resistir a elevadas pressões hidrostáticas sem a necessidade de impermeabilização por barreiras físicas convencionais.

Contudo, a integridade e desempenho do sistema depende também do tratamento de juntas frias, juntas de concretagem e interferências (como tubulações e encontros entre paredes e lajes), que são os pontos mais vulneráveis à infiltração.

Definição na Fase de Projeto

A principal premissa na fase de projeto é a compatibilização multidisciplinar. É imprescindível que os projetistas de impermeabilização, de estruturas, de contenções  e fundações e o tecnologista de concreto trabalhem de forma alinhada.

Durante o dimensionamento, as seguintes diretrizes técnicas devem ser seguidas para garantir a eficácia do sistema:

  • Controle de Fissuração: A estrutura deve ser dimensionada para limitar a abertura de fissuras a um máximo de 0,4mm
  • Dosagem Racional do Concreto: O traço deve especificar um consumo mínimo de cimento de 400 kg/m³ e uma relação água/cimento máxima de 0,5.
  • Trabalhabilidade: O concreto deve ter consistência adequada, como S160 (Slump entre 16 cm e 22 cm), para evitar falhas de adensamento.
  • Mapeamento de Juntas: Os panos de concretagem diários devem ser pré-definidos para o posicionamento exato das fitas hidroexpansivas.

Aplicação Durante a Execução

Na obra, o sucesso do White Tank está diretamente ligado ao controle de qualidade e rigor executivo na aplicação do concreto e dos elementos acessórios. O processo construtivo divide-se nas seguintes frentes:

  1. Pré-concretagem (Juntas e Interferências): Instalam-se perfis hidroexpansivos (fitas que se expandem em contato com a água) nas juntas frias, encontros de laje/parede e ao redor de tubos passantes. Para garantir aderência contínua entre os panos de concretagem, utiliza-se um retardador de pega superficial na junta, seguido de hidrojateamento para promover a rugosidade necessária.
  2. Concretagem: O concreto aditivado é lançado e rigorosamente adensado para evitar vazios permeáveis (“bicheiras”).
  3. Pós-concretagem e Reparos: Defeitos superficiais, ninhos de concretagem, furos de tirantes e lamelas (em casos de contenção tipo parede diafragma) devem ser tratados com precisão. Utilizam-se argamassas de pega ultrarrápida (tipo waterplug) para conter o fluxo de água, seguidas pelo preenchimento com argamassa ou grout cristalizante. Em estruturas como diafragmas, é indicado aplicação de cristalizante por pintura ou projeção na face exposta.
  4. Cura (Ativação): Por depender de um processo químico reativo com a água, a umidade é fundamental para a cristalização. Em obras mais complexas, determina-se a molhagem contínua do concreto recém-executado comum cristalizante por um período, como 21 dias, para garantir a ativação plena do redutor de permeabilidade.

Em síntese, o Sistema White Tank, quando associado a uma mão de obra qualificada e a um projeto rigorosamente detalhado, oferece alta resiliência, incremento durabilidade e proteção à estrutura, redução de custos globais e uma pegada de carbono até 11 vezes menor do que alternativas de base orgânica. Porém,vale ressaltar também  que:

  • O sistema White Tank tem um bom desempenho para estruturas com este tipo de solicitações, mas deve ser projetado e compatibilizado com as disciplinas de interfaces
  • Detalhes executivos como juntas de concretagem e juntas entre materiais diferentes devem avaliados e pensados em fase de projeto com as devidas compatibilizações
  • É necessário contratação de Projetistas de Impermeabilização, contenção e fundação e drenagem com experiência para definição e compatibilização das soluções pois a pressão e nível da água podem exigir de forma elevada nas estruturas e nas juntas de concretagem
  • Para melhor desempenho do sistema, recomenda-se que, em obra, haja a atuação de fiscalização para garantir a execução dos projetos e principalmente o controle de qualidade e execução do concreto – que está diretamente ligado à eficiência do sistema
  • Deve ser contratado mão-de-obra especializada para instalação das fitas e tratamentos das interferências, assim como Tecnologista de Concreto para acompanhamento do desenvolvimento do traço e execução das estruturas in loco.