A 17ª edição do Concrete Show South America teve início na manhã de hoje, no São Paulo Expo, reunindo grandes nomes e lideranças do setor da construção civil. Reconhecido como um dos pilares da economia brasileira, o setor movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano, representando cerca de 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e gerando milhões de empregos formais. A construção civil abrange desde a edificação de moradias e comércios até grandes obras de infraestrutura pública, sendo essencial para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

O evento, que acontece até o dia 27 de agosto, tem como objetivo fomentar negócios, apresentar novas tecnologias e fortalecer o relacionamento entre os diversos elos da cadeia produtiva. Com foco em produtividade, inovação, sustentabilidade e eficiência, o Concrete Show busca impulsionar o desenvolvimento do setor e da infraestrutura nacional.

Durante os três dias de programação, os participantes terão acesso a uma série de atividades e espaços interativos, como a Arena 120 Ideias, o espaço Mega Demo, a Praça da Alvenaria e workshops voltados para a troca de conhecimento, networking e geração de negócios. Além disso, acontece também a 5ª edição do Congresso Construindo Conhecimento, com o tema: “O novo concreto: soluções industriais e sustentáveis que transformam o trabalho”. O evento é considerado um marco para o futuro da construção civil.

A cerimônia de abertura contou com a presença de importantes autoridades e representantes do setor da construção civil. Entre os participantes estavam Fernando Dascola, head do portfólio de infraestrutura e tecnologia da Informa , e Felício Ramuth, vice-governador do estado de São Paulo. Também marcaram presença Roberto Garibe, secretário de infraestrutura e meio ambiente do estado de São Paulo, e Adriana Boggio, Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras da cidade de São Paulo, que representou o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.

Inês Magalhães, ex-ministra das Cidades e vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, participou da cerimônia ao lado de Mario Willian Esper, presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Íria Adoniak, presidente-executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC), e Wagner Lopes, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC), também estiveram presentes.

Julio Timmerman, presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), e Yorki Estefan, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), completaram o grupo de lideranças que participaram da abertura. A presença dessas autoridades afirma a importância do evento como espaço de diálogo, inovação e desenvolvimento para o setor da construção civil.

Representando Marco Basso, presidente da Informa Markets Brasil, Fernando Dascola deu as boas-vindas aos presentes e ressaltou a importância do evento para o setor.”Gostaria de agradecer a todas as autoridades presentes, expositores, profissionais, parceiros e visitantes. Sejam todos muito bem-vindos ao Concrete Show South America. Iniciamos hoje a 17ª edição do mais completo evento da cadeia da construção”, afirmou Dascola.

Dascola destacou os números expressivos da última edição, que reuniu mais de 400 empresas expositoras e 26 mil profissionais

Em sua fala, o diretor mencionou os desafios enfrentados pelo setor após um período macroeconômico desafiador. “A construção brasileira enfrenta o desafio de produzir mais e melhor, com maior produtividade, eficiência e sustentabilidade. O concreto ocupa uma posição central nesse processo. É nesse cenário de transformação que o Concrete Show ganha ainda mais relevância, conectando toda a cadeia da construção”, disse.

Dascola destacou os números expressivos da última edição, que reuniu mais de 400 empresas expositoras e 26 mil profissionais. “Esses números revelam a capacidade do Concrete Show de mobilizar um setor tão essencial para o país. Este é, sem dúvida, o grande ponto de encontro da construção latino-americana”, completou.

Ele anunciou também a assinatura de um acordo de cooperação entre a ABESC e a Abralog, que visa promover o desenvolvimento técnico, científico, institucional e sustentável em sistemas construtivos. “Infraestrutura e construção têm um papel estratégico para o crescimento sustentável e integrado do país”, concluiu.

ABESC e ABRALOG selam parceria estratégica no Concrete Show

A cerimônia de abertura foi palco também para a oficialização da assinatura de um acordo de cooperação entre a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC) e a Associação Brasileira de Logística (ABRALOG), com a presença de Pedro Moreira, presidente da ABRALOG, e Márcio Fruzio, representando a ABESC.

Acordo acontece em momento de recuperação da construção, que cresceu 2,9% no primeiro trimestre e abriu 168,9 mil vagas até junho

O documento tem como objetivo estabelecer uma cooperação técnica entre as duas entidades, com foco na contribuição de informações técnicas sobre sistemas construtivos de pavimentos urbanos de concreto de alto desempenho, aplicáveis aos sistemas logísticos. A iniciativa visa promover o desenvolvimento técnico, científico, institucional e sustentável da infraestrutura logística brasileira, por meio de ações como:

  • Geração e disseminação de conhecimento;
  • Desenvolvimento de estudos e capacitação profissional;
  • Intercâmbio de experiências e realização de eventos;
  • Apoio à formulação de soluções de engenharia aplicadas aos sistemas logísticos, com especial atenção às tecnologias baseadas em concreto e demais ações de infraestrutura de elevado desempenho.

“Esse acordo é um exemplo claro de como nossos eventos podem gerar oportunidades reais para os setores que representamos. A Intermodal foi o ponto de partida para essa conversa, e hoje celebramos a formalização de uma cooperação que será fundamental para o desenvolvimento de ambos os setores”, ressaltou Dascola.

Autoridades destacam avanços, parcerias e otimismo para o futuro

Entre as autoridades participantes estava Adriana Boggio, secretária adjunta de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo, que representou o prefeito Ricardo Nunes. Em seu discurso, Adriana reforçou o compromisso da prefeitura com o desenvolvimento do setor e anunciou uma nova iniciativa para melhorar a mobilidade urbana na região do São Paulo Expo. “Amanhã estaremos publicando a consulta pública para a duplicação do viaduto que dá acesso ao São Paulo Expo, um projeto que reforça nosso compromisso com a infraestrutura da cidade”, revelou. Ela concluiu reafirmando a abertura da prefeitura para o diálogo e a busca por soluções inovadoras. “Tenho certeza de que São Paulo continuará crescendo com planejamento, responsabilidade e inovação”, afirmou.

Representando o Governo Federal, Roberto Garibi, secretário especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destacou o papel estratégico do setor da construção civil no desenvolvimento do país. “O PAC tem a missão de retomar os investimentos em infraestrutura, uma variável complexa e cheia de desafios. É fundamental que o governo organize uma estratégia clara, indicando os setores prioritários e os caminhos para o desenvolvimento”, explicou. Garibi elogiou a capacidade de resposta da indústria, que tem avançado em tecnologia, formação de mão de obra e desenvolvimento de materiais sustentáveis. “Eventos como o Concrete Show mostram que a construção civil brasileira está pronta para retomar seu papel como grande motor da economia nacional”, completou.

O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, representando o governador Tarcísio de Freitas, também marcou presença e destacou os avanços em infraestrutura no estado. Ele apresentou projetos estruturantes em andamento, como o trem de passageiros São Paulo-Campinas, que permitirá o trajeto em 55 minutos, e a conclusão do Rodoanel Norte, prevista para o final deste ano. Ramuth também mencionou o túnel Santos-Guarujá, uma obra de R$ 6 bilhões que utiliza tecnologia inovadora e é realizada em parceria com o Governo Federal. Apesar dos avanços, o vice-governador reconheceu os desafios do setor, como as altas taxas de juros e as incertezas da reforma tributária. “Com trabalho conjunto entre empreendedores e governos, conseguiremos superar esses obstáculos e construir um sistema mais simples e justo”, afirmou.

Ramuth encerrou sua fala com um convite à colaboração e otimismo. “Quero reiterar o convite para que juntos continuemos construindo a cidade, o estado e o país dos nossos sonhos. Parabéns ao Concrete Show por este grande evento de capacitação e negócios”, concluiu.

Após os discursos, as autoridades participaram do tradicional corte da fita inaugural, marcando oficialmente o início do Concrete Show 2026.

Habitação no Brasil: desafios e avanços discutidos no Concrete Show 2026

Ainda como parte da abertura, Inês Magalhães, ex-ministra das Cidades e especialista em políticas públicas de habitação, deu início ao painel “O Futuro da Infraestrutura no Brasil: O Papel do Concreto na Próxima Década” que trouxe reflexões importantes sobre o tema da habitação no Brasil, destacando os desafios históricos, as conquistas recentes e as perspectivas para o futuro. Em sua palestra, ela abordou o impacto da urbanização acelerada, a necessidade de políticas públicas consistentes e a importância de integrar a agenda ambiental ao planejamento urbano para minimizar um dos principais gargalos do país: o déficit habitacional.

Inês começou dando destaque ao processo de urbanização extremamente rápido que aconteceu no país, saindo de um país majoritariamente rural para um urbano em menos de 40 anos. “Esse padrão de urbanização foi muito acelerado e, infelizmente, marcado por uma baixa qualidade no processo, o que gerou desigualdades socioterritoriais significativas”, explicou. Segundo a especialista, o tamanho continental do país e os altos custos de infraestrutura tornam o desafio ainda maior. “Temos um país federativo, o que exige respeito aos entes subnacionais e uma articulação eficiente para somar esforços entre municípios, estados e a União”, completou.

A especialista também ressaltou a importância de políticas públicas que garantam a continuidade e o aprimoramento progressivo, sem interrupções. “O desafio não é apenas criar uma política pública de habitação, mas torná-la acessível para a maioria da população. A habitação é um bem essencial que transforma vidas e movimenta a economia”, afirmou.

Inês relembrou marcos importantes na história da habitação no Brasil, como a criação do Ministério das Cidades em 2003, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2007 e o Minha Casa Minha Vida em 2009. “O Minha Casa Minha Vida foi, sem dúvida, um divisor de águas na habitação no país, mas é importante lembrar que o tema da habitação já vinha sendo trabalhado antes, com iniciativas como a MP do Bem, em 2005, que trouxe segurança jurídica e impulsionou o mercado imobiliário”, destacou.

Ela também enfatizou a necessidade de pensar a habitação de forma ampla, considerando dimensões institucionais, governança e sustentabilidade. “A habitação não é apenas uma política pública importante por transformar vidas, mas também por sua capacidade de movimentar a economia, gerar empregos e dinamizar a arrecadação fiscal. Cada real investido em habitação tem um retorno significativo para o país”, afirmou.

Outro ponto abordado foi a relação entre habitação e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. “A habitação contribui direta ou indiretamente para 67 das 169 metas dos ODS, sendo uma porta de entrada para melhorias em outras áreas, como educação e saúde”, explicou Inês.

Ela também destacou iniciativas recentes, como o programa Reforma Casa Brasil, que busca melhorar habitações autoconstruídas e enfrentar a crise ambiental. “O calor extremo em algumas moradias nas favelas pode ultrapassar 55 graus, o que torna a reforma habitacional uma questão de sobrevivência, além de promover cidades mais igualitárias”, alertou.

Inês mencionou ainda a importância de requalificar centros urbanos em decadência, promovendo o retrofit para criar moradias acessíveis. “O Brasil precisa olhar para seus centros urbanos e recuperar esse patrimônio, muitas vezes cultural, com soluções que atendam também à baixa renda”, disse.

Por fim, ela destacou o papel da Caixa Econômica Federal como agente financeiro e operador de políticas habitacionais. “A Caixa tem uma responsabilidade enorme nesse processo, seja na implementação de políticas públicas, seja na criação de soluções inovadoras, como a linha de financiamento para empreendimentos com menor pegada de carbono”, afirmou.

Inês encerrou sua fala com otimismo, destacando o avanço do setor da construção civil no Brasil. “Nos fóruns internacionais, sinto orgulho de dizer que conseguimos integrar a habitação de interesse social ao setor da construção civil em uma escala que poucos países alcançam. Isso é fruto de um esforço coletivo de mais de 16 anos”, concluiu.

Acompanhe a cobertura completa do evento em Concrete Show Digital.