Uma das atrações do segundo dia do Concrete Show 2026, em 26 de agosto, foi a apresentação do MAKEPRO, um sistema de gestão de projetos voltado para a construção civil, integrado ao workshop sobre Building Information Modeling (BIM). A ferramenta, um Ambiente Comum de Dados (CDE) projetado para coordenação de projetos com gestão ágil, foi apresentada por William Formigoni, cofundador da MakeDrive e responsável pelas operações do MAKEPRO.
Durante sua apesentação, Formigoni destacou a importância de uma abordagem estruturada para a gestão de projetos na construção civil: “O empreendimento tem uma timeline, uma história que vai do começo ao fim e que precisa alcançar um objetivo. Desde o início, já temos requisitos, e essa é a essência do BIM: como levar essas informações para cada agente e tarefa ao longo do processo”, explicou.
Rafael Golden, conselheiro do Grupo DRC, complementou: “Quanto mais projetos, mais gargalos”, reforçando a importância da organização e da gestão de processos na construção civil.
Projeto integrado desde o primeiro insumo
A plataforma permite estruturar requisitos desde o início do empreendimento. Como explica Formigoni: “Desde o meu levantamento de requisitos lá no começo do meu produto, do meu empreendimento, eu tenho a materialização disso em diretrizes”.
O sistema possibilita:
- Criar e organizar diretrizes técnicas baseadas em normas, limitações construtivas e requisitos do produto;
- Vincular diretrizes específicas a projetos e tarefas;
- Rastrear onde cada diretriz está sendo aplicada e exigida;
- Declarar atendimento ou sinalizar impossibilidade de cumprimento.
O sistema inicia o processo BIM já na fase de aquisição de terrenos, integrando informações que tradicionalmente ficavam dispersas. “O terreno é o primeiro insumo, serve de base para pensar o produto que será entregue. Capturar os detalhes e transmitir de maneira correta para os próximos agentes do processo é fundamental”, destacou.
Padrões definidos e risco sob controle
O especialista decorreu sobre como a ferramenta de gestão apoia na padronização operacional e na gestão de riscos. “Risco de terreno também é dado, não é intuição”, comentou, ao apontar como a plataforma faz classificação de possíveis riscos e incorpora tais informações na matriz de decisão.
Uma das etapas mais críticas suportadas pela plataforma é a definição dos requisitos da organização. Para essa demanda, o sistema permite:
- Criar memoriais integrados com aprovação em múltiplas camadas (produto, suprimentos, projetos, obra);
- Estabelecer acabamentos e sistemas construtivos;
- Validar viabilidade técnica e comercial antes da materialização em projetos;
- Garantir que todos os departamentos avaliem riscos de suas respectivas áreas.
Visualização completa e compatibilização
Além de todas as funcionalidades na gestão de projeto, o MAKEPRO também conta com ferramentas próprias para compatibilização, gestão de apontamentos e visualização 2D e 3D de cada obra. Com o objetivo de simplificar e integrar os processos, a plataforma reúne essas funcionalidades para evitar a dispersão de informação em outros sistemas.
“A maneira que você produz o apontamento e como você o acompanha, tem muito mais impacto do que a ferramenta que você usa pra analisar o projeto”, concluiu Formigoni.
Como foi reforçado na apresentação, o diferencial do BIM (Building Information Modeling) é a antecipação da informação. “Por algum motivo, a gente acha que a tecnologia ou alguma metodologia vai substituir o bom e velho ‘simples que funciona’”, quando, na verdade, o sucesso do BIM está na capacidade de estruturar informações, antecipar decisões e garantir que as pessoas certas recebam as informações corretas no momento adequado.
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