No primeiro dia do Concrete Show 2026, o palco do Congresso Construindo Ideias recebeu o painel “Do Método a Entrega: como o BIM potencializa a gestão, processos e informação através da conexão e colaboração”.  

O público acompanhou a apresentação de especialistas do setor, representando associações e empresas que se destacam na implementação e no aprimoramento do BIM (Building Information Modeling – Modelagem da Informação da Construção) no Brasil.  

Essa sessão de conteúdo teve introdução de Rafael Golden, Diretor Executivo de Operações da RMMAIS e conselheiro do Grupo DRC. Abrindo o painel, ele reforçou que “o BIM não vai resolver problemas que já existiam antes de sua implementação. O BIM não melhora um processo que ninguém organizou”. 

Golden, então, apresentou a sequência de conteúdos e cases do painel, alinhados justamente ao método e aos entregáveis do BIM, com as seguintes contribuições: 

  • Resultado enquanto ecossistema, transparência, relacionamento e capacidade coletiva; 
  • Requisitos, responsabilidade, planos de entrega e ISO 19650; 
  • Conexão entre pessoas, documentos, fluxos e decisões; 
  • Maturidade, mudança de processo e resultados nos projetos estruturais; 
  • Produção, coordenação, validação e decisão nos sistemas prediais. 

Acompanhe o resumo desse painel nos próximos tópicos. 

Maturidade digital do setor construtivo e contribuições para a transformação 

Com o tema “União dos esforços para impulsionar a maturidade digital na construção nacional”, Erik Santos, presidente do BIM Fórum Brasil e Gerente de Engenharia da ACCIONA, apresentou conquistas do BFB e os avanços no setor. 

“O BIM Fórum reúne lideranças para impulsionar a transformação digital no setor da construção brasileira. Somos mais de 130 empresas associadas e temos articulações com agentes governamentais e instituições profissionais”, comentou Santos. 

Destacando o fórum enquanto um ecossistema do setor, o painelista trouxe conquistas do grupo e entregas que contribuem para o desenvolvimento, adoção e melhoramento da ferramenta. Entre as entregas do BIM Fórum, Santos começou com a criação da buildingSMART Brasil, braço nacional da rede buildingSMART international. “Sua missão é promover a interoperabilidade no uso do BIM por meio de padrões abertos”. 

Também listou a série de vídeos educativos no YouTube do BIM Fórum Brasil e o mapeamento da transformação digital no setor, uma pesquisa que já consultou mais de 15 mil participantes sobre a digitalização do setor construtivo, tanto indústrias como arquitetura e engenharia.   

Dados dessa pesquisa, segundo Santos, demonstram que o setor está mobilizado para a transformação digital. O BIM é reconhecido como tema estratégico por 90% dos profissionais, que também apontam a grande importância do tema nos próximos cinco anos. 

Publicações do BFB, como a “Matriz Brasileira de Competências BIM”, também estão disponíveis no site oficial

ABNT NBR ISO 19650 

O próximo tópico apresentado no painel foi a norma ISO 19650, que define diretrizes para o gerenciamento de informações com BIM ao longo de todo o ciclo de vida de um ativo. Quem contribuiu com o assunto foi Tito Sena, CEO da Sena Arquitetura. 

“Aquela história de ‘sempre fiz assim e deu certo’ já não funciona para os desafios atuais. Cada vez mais precisamos de formas de fazer algo melhor, mais organizado e mais rápido”, comentou, reforçando como os processos de modelagem de informações ganham importância no setor. 

Sena também apresentou o principal desafio do mercado, que é a falha na gestão de informação: silos disciplinares; lacunas de informação; decisões tardias; retrabalho; baixa previsibilidade; desenvolvimento “BIM” om processos 2D. 

Em meio a esse cenário, chega a norma ABNT NBR ISO 19650 com o objetivo de “organizar a gestão da informação”. Segundo o especialista, “temos que seguir um rito para melhorar processos até a entrega do empreendimento”. E o primeiro passo desse rito é a determinação de necessidades: quais informações serão necessárias? Por quê? 

A apresentação trouxe os conceitos gerais da ISO, que se se dividem em Demanda (Requisitos) x Resposta (Planejamento).  

Demanda Resposta 
OIR (Organizational Info Requirements) – Necessidades estratégicas do negócio BEP (Plano de Execução BIM) – Como a equipe trabalhará 
AIR (Asset Info Requirements) – Necessidades de operação e manutenção do ativo TIDP (Plano de Tarefa) – Quem entrega o quê 
PIR (Project Info Requirements) – Informações para tomadas de decisão no projeto MIDP (Plano Mestre) – Consolidação do cronograma 
EIR (Exchange Info Requirements) -Requisitos técnicos e contratuais para a equipe  

Tudo isso dentro de um CDE (Common Data Environment), o Ambiente Comum de Dados. 

“O processo de BIM não é só adotar software, mas adotar um processo de gestão de informação adaptado ao seu negócio e suas necessidades”, finalizou. 

BIM deixou de ser diferencial 

Na sequência, três especialistas contribuíram com insights aprofundados sobre aplicações do BIM. Subiram ao palco: 

  • William Formigoni, co-founder da MakeDrive e head de operações do MakePro, com “Impactos e resultados de CDE organizacionais para incorporadoras e construtoras”; 
  • Fernando Guimarães, CEO da RMMAIS, com “O impacto do BIM nos projetos estruturais: da demanda à transformação do processo”; 
  • e Michel Figueiredo Custodio, fundador do Grupo DRC e Gerente de Projetos da DRCpro Engenharia, apresentando “Impacto do BIM no desenvolvimento dos projetos de sistemas prediais”. 

A programação do Congresso Contruindo Conhecimento no Concrete Show 2026 segue até o último dia de evento, 27 de agosto. Saiba mais sobre a programação e siga acompanhando a cobertura oficial no Concrete Show Digital