A Praça de Alvenaria e Pavimento Intertravado foi um dos destaques do Concrete Show 2026, realizado entre os dias 25 e 27 de agosto, como um espaço dedicado a aproximar tecnologia, aplicação prática e negócios na construção civil. Em sua terceira edição, a atração reuniu empresas e especialistas em torno de um apartamento modelo em escala real, construído segundo os princípios da alvenaria estrutural racionalizada.
Mais do que apresentar produtos, a iniciativa proporcionou uma oportunidade única para fornecedores e profissionais de diferentes elos da cadeia interagirem com uma obra em andamento, observando como diversas soluções são integradas ao processo construtivo. Nesta edição, cerca de 40 a 50 parceiros participaram do projeto, um número que vem crescendo a cada ano.
Da obra convencional à lógica de uma linha de produção
O conceito central da atração foi tratar a alvenaria como um processo industrial. O projeto foi previamente paginado e dimensionado para minimizar quebras e sobras, permitindo um planejamento eficiente de materiais, logística e sequência de execução.
“Quando a gente pagina o projeto, o racional é pensar em não ter quebra ou não ter sobra de produtos”, explicou Paulo Manzini, da Manzini Empresarial, responsável pela realização do projeto. Segundo o executivo, essa abordagem pode gerar uma economia de até 30% em relação ao método convencional.
Na demonstração, o apartamento modelo foi construído com blocos estruturais de concreto, argamassa, equipamentos, andaimes, escantilhão e gabaritos. O projeto também incorporou soluções inovadoras, como instalações elétricas que eliminam a necessidade de quebrar paredes, além de pré-lajes e outros componentes pré-fabricados.
A lógica de repetição também foi evidenciada no ritmo de execução. Parte da alvenaria apresentada nesta edição foi executada em apenas oito horas pela empresa Mega. Em comparação, em 2025, a montagem de boa parte da estrutura levou três dias, enquanto neste ano o mesmo trabalho foi realizado em dois dias.
Para Manzini, a industrialização está na capacidade de transformar a execução em uma sequência planejada. “Quando a alvenaria racionalizada é pensada de forma repetitiva, você industrializa o sistema. É como produzir um carro: em vez de fazer uma unidade, cria-se uma linha de produção, com componentes quantificados e uma logística planejada para dar velocidade à obra”, afirmou.
Demonstração técnica aproxima fabricantes, projetistas e construtoras
O projeto também incluiu um espaço de detalhamento técnico, com ensaios de parede e de prisma, orientações sobre aplicação, dimensões, resistências e soluções como paredes corta-fogo. A proposta foi aproximar a demonstração prática das exigências técnicas que fazem parte do desenvolvimento e da execução dos sistemas.
A experiência destacou ainda a importância da logística na escolha de sistemas construtivos. “Todo sistema construtivo tem vantagens e desvantagens”, observou Manzini. Segundo ele, fatores logísticos podem alterar a competitividade de uma solução dependendo da região, sem necessariamente impactar a qualidade final dos produtos.
Outro destaque desta edição foi a articulação entre fabricantes, projetistas e construtoras. A Praça contou com a participação da Bloco Brasil e da Comunidade da Alvenaria, iniciativa que reúne projetistas, construtoras e fabricantes de blocos em torno de demonstrações técnicas.
A escala da atração também acompanhou esse movimento. Manzini afirmou que a quantidade de parceiros vem aumentando e estima a entrada de mais dez a 12 empresas na edição de 2027. Entre os participantes, estiveram fabricantes e fornecedores de portas e janelas, eletrodutos, cabos elétricos, equipamentos, blocos de concreto, além de concreteiras e cimenteiras.
Para além da demonstração, a Praça expôs um movimento mais amplo da construção brasileira: a busca por sistemas capazes de combinar produtividade, planejamento e redução de desperdícios.