Um projeto inovador desenvolvido por estudantes do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) mostra como a ciência aplicada pode enfrentar desafios ambientais e urbanos. A iniciativa, chamada “SPP Sustentável: reciclando no Potengi”, foi criada no campus de São Paulo do Potengi, no interior do estado, e propõe a transformação de resíduos da construção civil em materiais reaproveitáveis, como blocos e argamassas.
A ideia surgiu a partir da observação de entulho descartado irregularmente em ruas e terrenos baldios do município. Com orientação do professor Neuber Araújo, os alunos do curso técnico integrado em Edificações desenvolveram uma miniusina compacta capaz de coletar, separar, triturar e transformar resíduos de obras em agregado reciclado, que pode ser utilizado na produção de novos artefatos cimentícios. O processo segue normas técnicas e não envolve queima de materiais, diferenciando-se da fabricação tradicional de peças cerâmicas.
Segundo dados da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), a construção civil gerou cerca de 120 milhões de toneladas de entulho no Brasil. E grande parte destes resíduos (alguns bons milhões) são descartados de forma clandestina em rios, mares, lagoas, terrenos baldios e até mesmo na rua.
O descarte incorreto de qualquer tipo de lixo gera danos irreversíveis ao meio ambiente. No caso da construção civil, onde grande parte dos entulhos pode ser reciclada ou reutilizada, o descaso em abandonar os materiais é ainda maior.
O projeto ganhou destaque nacional ao vencer, por votação popular, o programa Solve For Tomorrow Brasil 2023, promovido pela Samsung. Desde então, tornou-se referência em educação ambiental e reaproveitamento de resíduos, despertando o interesse de instituições públicas e privadas.
Além do desenvolvimento técnico, os estudantes realizaram ações de conscientização na comunidade, como oficinas, minicursos e podcasts, para divulgar informações sobre descarte correto e reciclagem de resíduos da construção civil. Essas atividades reforçam o caráter educativo do projeto, que busca integrar ciência, sustentabilidade e engajamento social.
Embora ainda dependa de validações e estruturação para aplicação fora do ambiente acadêmico, a miniusina já representa uma solução promissora para o gerenciamento de resíduos em pequena escala. A proposta também destaca a importância de transformar demandas locais em temas de pesquisa aplicada, aproximando formação técnica e práticas sustentáveis.
Com artigos aprovados em eventos científicos e reconhecimento nacional, o projeto segue como exemplo de como a educação pública pode contribuir para a construção de um futuro mais sustentável.