O projeto de impermeabilização é um elemento técnico de grande relevância, constituído por um conjunto de informações gráficas e descritivas que definem as características de todos os sistemas impermeabilizantes de uma edificação. Desde a vigência da ABNT NBR 15575 – Edificações Habitacionais- Desempenho (2013), a impermeabilização deixou de ser dimensionada apenas para o cumprimento de prazos de garantia legal, passando a ter papel fundamental no atendimento à Vida Útil de Projeto (VUP), durabilidade e estanqueidade das estruturas.
Contudo, para que o sistema funcione adequadamente, o projeto de impermeabilização deve ser desenvolvido e compatibilizado de forma simultânea com outras disciplinas (Arquitetura, Estrutura, Hidráulica, Paisagismo e Fundações) desde as fases de Anteprojeto. A contratação tardia desse projeto — na fase executiva ou com a obra já em andamento — gera graves impactos no desempenho e nos custos do empreendimento.
A necessidade de um profissional especializado
A complexidade das interfaces construtivas e as exigências rigorosas das normas de desempenho tornam indispensável a atuação de um projetista ou empresa especializada em engenharia de impermeabilização. A ausência de um profissional habilitado compromete toda a cadeia de qualidade do sistema pelas seguintes razões:
- Definição da Vida Útil de Projeto (VUP) e Especificação: Cabe exclusivamente ao projetista especializado analisar as condições do projeto, estudar os sistemas e estabelecer a VUP de cada elemento com base na durabilidade e manutenibilidade.
- Elaboração do Plano de Manutenção: O projetista é o responsável por elaborar o plano de manutenção específico, munido das informações técnicas dos produtos e sistemas adotados, sendo este documento essencial para garantir que a VUP estabelecida seja alcançada no pós-obra.
- Acompanhamento e Fiscalização: A presença do projetista ou de um fiscal terceiro especializado durante a execução garante que o projeto seja executado de forma fiel, propiciando maior segurança para o aplicador e para o cliente final.
- Intervenções Futuras: Mesmo no pós-obra, no caso de necessidade de troca de revestimentos ou proteção mecânica, é exigida a avaliação de um profissional habilitado para o refazimento seguro da impermeabilização.
Os principais impactos da falta de compatibilização
A ausência de compatibilização prévia entre os projetos, aliada à falta de um especialista nas etapas iniciais, gera interferências críticas. Os impactos mais significativos incluem:
- Limitação na Escolha dos Sistemas e Incompatibilidade de Cotas
Quando a impermeabilização é pensada apenas na fase de execução, é comum que a cota do sistema previsto não passe nas cotas de níveis (osso/acabado) já definidas pela arquitetura e estrutura. Como a estrutura muitas vezes não pode mais ser rebaixada, ocorre uma severa limitação das opções de sistemas de impermeabilização.

Fonte: Impersolutions
- Deficiência na Captação de Água e Caimentos Inadequados
A falta de integração com o projeto hidráulico resulta em áreas com poucos pontos de captação de água, além de interferências onde o caimento não consegue ser direcionado corretamente para os ralos. O caimento da impermeabilização deve ser sempre direcionado para a captação na laje.

Fonte: Impersolutions
- Posicionamento Crítico de Juntas de Dilatação
A falta de compatibilização com a arquitetura, estrutura e o paisagismo na fase de projetos frequentemente faz com que juntas de dilatação — que exigem livre movimentação — sejam posicionadas em áreas de alto risco com constante umidade ou até mesmo pressão de água, como dentro de floreiras, jardins, piscinas etc. Ou ainda posicionadas próximas à pontos de captação de água estando no caminho da água e próximo ao ponto mais baixo. A NBR 9575 – Impermeabilização, seleção e projeto (2010) determina que juntas devem estar afastadas no mínimo 1,50m de captações e ser ponto mais alto (funcionar como divisores de água).
- Dificuldades no Detalhamento de Paisagismo e Fixações
Muitas vezes o projeto de paisagismo não detalha o impacto de suas fixações nas áreas impermeabilizadas. A instalação de equipamentos, pergolados e guarda-corpos perfurando a impermeabilização sem o detalhamento prévio joga para a obra a responsabilidade de equacionar soluções complexas ou até mesmo geram pós obra em função dessas fixações sem detalhamento e acompanhamento especializados.

- Impactos na Durabilidade e Aparecimento de Manifestações Patológicas
As incompatibilidades e a falta de detalhamento contribuem para redução da durabilidade e propiciam o aparecimento de manifestações patológicas. Tornam-se comuns problemas como o confinamento de água sob o sistema, descolamentos severos, eflorescências e infiltrações causadas por interferências não equacionadas em projeto.
- Estouro do Orçamento da Obra
A consequência comercial direta da falta de um projeto compatibilizado é um orçamento equivocado. Os diversos ajustes necessários na obra, as limitações de sistemas e a instalação de pontos de captação de última hora encarecem substancialmente o custo real da impermeabilização em relação ao previsto.
O projeto de impermeabilização deve ser contratado e compatibilizado desde as fases preliminares com os demais projetos. A falta de compatibilização aumenta as dificuldades de execução, eleva os custos e desencadeia manifestações patológicas.
Para que uma edificação atinja a durabilidade e os rigorosos critérios impostos pela ABNT NBR 15575 – Edificações habitacionais, Desempenho (2013) é estritamente necessário que o projeto seja desenvolvido por um profissional especializado e compatibilizado simultaneamente aos demais projetos desde as fases iniciais (Anteprojeto).
Apenas o respaldo de um especialista garante a especificação correta dos materiais, o estabelecimento do plano de manutenção e a fiscalização adequada, assegurando a estanqueidade e o sucesso a longo prazo da edificação.