O tempo de execução de uma obra é um dos principais aspectos a serem levados em conta na elaboração de um projeto de engenharia.
É por meio dessa projeção que os responsáveis pela obra conseguem dimensionar os custos e o trabalho a ser aplicado, o que resultará em uma série de desdobramentos referentes ao projeto.
Para entender mais sobre como calcular o tempo de execução da obra de forma assertiva e organizada, conversamos com Ricardo Bazzani Dranka, coordenador de Planejamento e Orçamento da Rottas Construtora e Incorporadora; e Valentina da Silva, analista de Planejamento da mesma empresa.
Vamos conferir as dicas que eles nos passaram? Siga lendo e tire suas dúvidas sobre o tema!
A importância de calcular o tempo de execução da obra
Conforme dados atualizados pelo IBGE em 2023, a construção civil no Brasil possui 165.833 empresas ativas no setor, com receita bruta de R$ 516 bilhões e mais de 2,4 milhões de pessoas ocupadas.
Neste cenário, o tempo médio para erguer um prédio padrão no país é de cerca de dois anos, segundo um levantamento feito pela consultoria Deloitte, a pedido da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Com números tão expressivos, saber calcular o tempo de obra é algo essencial para diminuir custos, aumentar a produtividade e diminuir o tempo ocioso.
Na opinião de Ricardo Dranka e Valentina da Silva, um dos principais motivos para se calcular o tempo de execução da obra é ter um objetivo claro.
“Quando a obra possui um bom planejamento de longo prazo com datas de início e término precisas, há mais clareza para a equipe do que deve ser feito, removendo as restrições para evitar possíveis atrasos”, afirmam os especialistas.
Portanto, ter um cálculo bem feito pode ajudar a reduzir gastos de materiais e equipe, além de oferecer um prazo de conclusão do projeto mais claro, o que pode representar maior prestígio e ganhos para a empresa ou construtor.
“Ao calcular o tempo de execução, é possível que haja um melhor planejamento físico e financeiro da obra, determinando o gasto mensal e custo fixo previsto, itens que influenciarão diretamente em outros processos dentro da empresa”, completam.
Alguns municípios brasileiros, inclusive, se destacam quando o assunto são boas práticas em planejamento urbano e execução de obras. É o caso de:
- Hortolândia (SP): foi realizada a integração de dados entre secretarias para monitorar o crescimento urbano e reduzir impactos da verticalização.
- Fortaleza (CE): a cidade tem foco no planejamento participativo e políticas sustentáveis em eficiência urbana.
- Maringá (PR) e Juiz de Fora (MG): também participaram de projetos de mentoria em gestão urbana sustentável.
Legislações e normas que orientam a execução de obras de construção civil
Ao calcular o tempo de execução de uma obra, é fundamental considerar também as legislações e normas que orientam o setor da construção civil.
A NR-18, por exemplo, estabelece as condições de trabalho e segurança nos canteiros, impactando diretamente a organização das frentes de serviço. Já a NBR 15575 trata do desempenho de edificações habitacionais, exigindo padrões de qualidade que podem influenciar prazos de execução.
No caso das estruturas, a NBR 6118 define critérios técnicos para o concreto armado, etapa essencial em grande parte das obras.
Além disso, cada município possui seu Código de Obras e Edificações (COE), que regulamenta cronogramas e etapas da execução conforme as diretrizes locais.
Vale destacar, ainda, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e o Planares, que incentivam práticas sustentáveis e de gestão de resíduos, exigindo ajustes no planejamento e podendo impactar o tempo total da obra.
Dicas para calcular o tempo de execução da obra
Mas, afinal, o que deve ser feito para calcular o tempo de execução de obra de forma correta? Pedimos aos nossos convidados que apontassem algumas dicas sobre o assunto.
“A melhor forma de se validar o tempo de execução de uma obra é analisando históricos: estudar obras semelhantes, seja pelo histórico da própria empresa ou através de benchmarking”, orientam.
“Mas é importante lembrar que cada obra tem sua particularidade e isso deve ser levado em consideração. É fundamental definir as atividades e suas respectivas produtividades, pois isso possibilita calcular com mais precisão o tempo de execução total da obra”, aconselham.
O passo a passo de um cronograma de obras eficiente
Os especialistas elaboraram, ainda, um passo a passo para que o cronograma siga o tempo de execução de obra previsto. Segundo ele, é necessário:
- Ter ciência de qual método construtivo será empregado;
- Determinar os pacotes de trabalho que tal método construtivo engloba;
- Estipular a produtividade e tempo de execução de cada pacote de trabalho;
- Estabelecer as predecessoras de cada atividade, ou seja, as dependências de cada serviço.
“Também é importante definir uma ferramenta que se adeque às necessidades da empresa, seja ela uma linha de balanço, gráfico de Gantt ou algum outro método”, observam.
Checklist para estimar corretamente o tempo de execução da obra
Além de observar as legislações e normas técnicas, o cálculo do tempo de execução da obra exige uma boa organização e planejamento. Para auxiliar nesse processo, confira um checklist prático que pode servir como guia:
- Defina o escopo detalhado do projeto;
- Elabore um cronograma físico-financeiro;
- Identifique as etapas críticas e dependências;
- Considere a sazonalidade e clima local;
- Planeje a logística de materiais e mão de obra;
- Inclua margem para imprevistos;
- Monitore e revise o cronograma periodicamente.
Esse conjunto de práticas, aliado à observância das normas e regulamentações, garante maior previsibilidade, reduz riscos de atraso e contribui para a entrega da obra dentro do prazo estabelecido.
Otimização do tempo de execução de obra
Sobre ações que podem ser tomadas para otimizar o tempo de execução da obra, gerando mais ganho de eficiência e cumprimento das metas propostas no projeto, ambos os entrevistados são categóricos ao afirmar:
“Para otimizar o tempo de execução da obra, é fundamental ter um bom planejamento pré-obra”.
“Um planejamento pré-obra nada mais é que preparar o terreno; ou seja, iniciar a obra com todos os projetos prontos, ter um planejamento de longo prazo bem definido, bons fornecedores e ferramentas de controle para o decorrer da obra”, citam Dranka e Silva.
Os entrevistados destacam, ainda, ações que podem ser aplicadas para otimizar esse andamento ao longo da obra:
“No decorrer da obra, é fundamental buscar eliminar as atividades que não agregam valor, pois elas geram desperdício. Um bom planejamento de longo prazo previne que haja muito tempo de espera entre as atividades, gerando assim uma otimização da sequência dos pacotes de trabalho e uma possível redução de prazo”.
Para finalizar, os entrevistados oferecem um último conselho valioso para quem quer acertar na hora de calcular o tempo de obra e garantir que o andamento do projeto seja feito da forma adequada.
“Outra maneira de otimizar o prazo de obra é a busca por melhoria contínua. Aprimorar os processos continuamente é imprescindível para se obter um bom desempenho e reduzir o desperdício no canteiro”, concluem.
Gostou deste artigo? Então, baixe também o “Guia do cronograma de obras“.
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