A construção civil brasileira movimenta bilhões de reais. Com o avanço das tecnologias e a crescente demanda por soluções sustentáveis, o setor tem se reinventado para atender às exigências de mercado e às novas regulamentações.
Nesse contexto, o Concrete Show trouxe à tona discussões sobre o futuro das fundações em concreto, destacando inovações que prometem transformar a forma como projetamos e executamos obras.
Durante o painel “A Construção do Futuro: O Pilar da Segurança e a Evolução Tecnológica das Fundações em Concreto”, especialistas compartilharam experiências e apresentaram soluções que aliam tecnologia, sustentabilidade e governança.
Estacas trocadoras de calor: sustentabilidade em foco
Uma das inovações mais comentadas foi o uso de estacas trocadoras de calor, também conhecidas como Energy Piles. Segundo o engenheiro Rodrigo Pascoal, diretor técnico da Protec Engenharia, essas estacas permitem a troca térmica entre o solo e o ambiente, reduzindo significativamente o consumo de energia em edificações.
“Estudos na Europa indicam uma redução de até 45% no consumo de energia para refrigeração, além de uma diminuição expressiva na emissão de CO2”, destacou Pascoal.
A tecnologia, que já é aplicada em países como Alemanha e Suíça, tem potencial para ser implementada em regiões brasileiras com grande amplitude térmica, como o Sul e o Centro-Oeste.

Digitalização e Governança
Outro ponto de destaque foi a digitalização no controle de obras. A engenheira Aline Guasti, sócia da M Consult Engenharia, enfatizou a importância da rastreabilidade e do uso de aplicativos para garantir a segurança e a governança nos projetos.
“Hoje, a informação precisa ser auditável e controlada. A digitalização é uma realidade, e quem não utiliza ferramentas como BIM e IoT está ficando para trás”, afirmou Aline.
Ela também ressaltou que a segurança não se limita ao projeto, mas se estende à execução e ao controle de qualidade, garantindo a longevidade das estruturas.
Inteligência Artificial e Gêmeos Digitais
A aplicação de inteligência artificial (IA) e gêmeos digitais foi outro tema amplamente debatido. Márcio Teixeira, sócio da M Consult Engenharia, destacou como essas tecnologias estão otimizando processos e reduzindo erros em projetos de fundações.
“Com sensores IoT integrados ao modelo BIM, é possível monitorar recalques em tempo real e evitar falhas que poderiam comprometer a segurança da obra”, explicou Teixeira.
Rodrigo Pascoal complementou, alertando para o uso responsável da IA:
“A inteligência artificial não é um oráculo. Sem dados bem estruturados, ela pode gerar erros graves. A governança e a validação técnica continuam sendo indispensáveis.”
Desafios e Oportunidades
Apesar dos avanços, os especialistas concordaram que a normatização ainda é um desafio. Aline Guasti destacou a necessidade de atualização das normas para acompanhar a velocidade das inovações tecnológicas.
“A norma está sempre um pouco atrás do mercado. Precisamos de comitês permanentes para revisá-las com mais agilidade”, sugeriu Guasti.
Além disso, a capacitação da mão de obra foi apontada como um ponto crítico. “Quem está na ponta precisa ser treinado para lidar com essas novas tecnologias”, reforçou a engenheira.
Com inovações como estacas trocadoras de calor, digitalização e inteligência artificial, o setor está mais preparado para enfrentar os desafios de um mercado em constante evolução.
“A construção civil precisa olhar para o futuro, mas sem esquecer o básico. Inovação e segurança devem caminhar juntas”, concluiu Luiz Aurélio Silva, conselheiro da ABESC.