A construção civil, responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO2, enfrenta desafios crescentes para equilibrar sustentabilidade e viabilidade econômica. Com o cimento representando até 70% dos custos de materiais em concreteiras, a busca por soluções inovadoras nunca foi tão urgente.
Durante o Concrete Show 2025, o diretor comercial da CarbonCure na América Latina, Rafael Dias, apresentou estratégias que unem tecnologia e sustentabilidade para transformar desafios ambientais em oportunidades de lucro.
“Cada quilo de cimento economizado é dinheiro direto no caixa da empresa”, destacou Dias, reforçando a importância de adotar práticas que não apenas reduzam custos, mas também gerem valor por meio de créditos de carbono.
Injeção de CO2: tecnologia que reduz emissões e custos
A tecnologia de injeção de CO2 no concreto, apresentada por Rafael Dias, é uma das soluções mais promissoras para a construção civil. O processo consiste em capturar CO2 da atmosfera e injetá-lo no concreto durante a produção, reduzindo a quantidade de cimento necessária e, consequentemente, as emissões de carbono.
Segundo Dias, “um caminhão betoneira de 8 m³ de concreto pode capturar até 19 kg de CO2 da atmosfera, o equivalente ao que seria absorvido por 1 hectare de árvores”. Além disso, a redução de 4% a 5% no uso de cimento gera economia significativa para as empresas.

Créditos de carbono: uma nova fonte de receita
Além da economia direta, a injeção de CO2 permite que empresas gerem créditos de carbono, que podem ser comercializados no mercado. Um exemplo prático foi apresentado durante o painel: uma concreteira na Bolívia recebeu um cheque de 60 mil dólares em 2024, referente aos créditos de carbono gerados pela redução de emissões.
“Cada tonelada de CO2 reduzida equivale a um crédito de carbono, que pode ser vendido por cerca de 100 dólares”, explicou Dias. Empresas como a Salesforce, comprometidas com a neutralidade de carbono, são grandes compradoras desses créditos, reforçando a viabilidade econômica da tecnologia.
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3 pilares para a sustentabilidade na construção
Rafael Dias destacou três pilares fundamentais para a redução de emissões e custos na construção civil:
- Eficiência e controle de qualidade: Investir em laboratórios e tecnologias para monitorar e otimizar a produção de concreto.
- Tecnologia de otimização: Automação de processos e uso de aditivos avançados para reduzir desperdícios e melhorar a eficiência.
- Monetização da sustentabilidade: Comercialização de créditos de carbono e fortalecimento da imagem sustentável da empresa.
“Hoje, ser uma empresa sustentável não é apenas uma questão de responsabilidade ambiental, mas também uma estratégia de marketing que vende”, afirmou Dias, citando casos em que empresas perderam contratos por não atenderem a exigências de sustentabilidade.

O futuro da construção sustentável
Com regulamentações ambientais cada vez mais rigorosas e a crescente demanda por práticas sustentáveis, tecnologias como a injeção de CO2 no concreto se tornam indispensáveis. Além de reduzir custos e emissões, elas abrem novas oportunidades de receita e fortalecem a competitividade das empresas no mercado.
Como concluiu Rafael Dias, “a sustentabilidade é o caminho para transformar desafios em oportunidades, garantindo não apenas a sobrevivência, mas o crescimento das empresas na construção civil”.
Essa abordagem inovadora reforça o compromisso do setor com um futuro mais sustentável e lucrativo, mostrando que é possível alinhar responsabilidade ambiental e resultados financeiros.