A indústria da construção abriu 9.468 novos empregos com carteira assinada no Brasil em setembro, o que representa variação de 0,30% em relação ao número de trabalhadores do setor em agosto. O resultado mantém o saldo positivo, mas confirma uma perda de ritmo na geração de vagas formais.

Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 4 de novembro. No acumulado de 2024 até setembro, a construção soma 207.434 postos formais, alta de 7,03%. Em 12 meses, o saldo chega a 74.678 vagas, avanço de 2,42%.

Empregos na construção civil perdem ritmo em setembro

Embora o setor continue entre os principais motores da ocupação formal no país, o desempenho de setembro ficou abaixo do observado em períodos de maior tração ao longo do ano. O resultado reforça um ambiente de desaceleração nas contratações, em linha com a redução do ritmo de obras e com uma postura mais cautelosa das empresas diante da pressão de custos.

No total da economia brasileira, o saldo entre admissões e desligamentos foi de 121,3 mil empregos formais em setembro. A construção respondeu por 7,8% desse volume, mantendo relevância na composição do mercado de trabalho, mas com contribuição mais moderada.

Construção civil foi o quarto setor que mais gerou vagas no país

Entre os grandes setores da atividade econômica, a construção ocupou a quarta posição em geração de empregos no mês. Ficou atrás de serviços, que abriu 81.241 vagas, da indústria, com 19.285, e do comércio, com 15.697. A agropecuária registrou saldo negativo de 4.381 postos.

Segundo especialistas, a construção segue resiliente, mas já opera em um cenário menos expansivo. O comportamento do emprego formal passa a refletir um mercado mais seletivo, com decisões de contratação mais vinculadas à previsibilidade de demanda, custos operacionais e andamento dos projetos.

Atividades imobiliárias também registram saldo positivo

Nas atividades imobiliárias do setor de serviços, que incluem incorporação imobiliária, foram criados 521 empregos em setembro, com variação de 0,25% frente a agosto. No acumulado do ano, o segmento abriu 4.928 vagas, alta de 2,44%. Em 12 meses, o saldo está em 4.611 postos, avanço de 2,28%.

O desempenho mostra que a cadeia imobiliária continua contribuindo para o mercado formal, ainda que em intensidade inferior à da construção como um todo. Para o setor, esse comportamento ajuda a compor um cenário de crescimento mais contido, porém ainda sustentado.

Estoque de trabalhadores da construção chega a 3,157 milhões

Ao final de setembro, a construção empregava 3,157 milhões de trabalhadores com carteira assinada no país, de acordo com o Novo Caged. O volume confirma o peso estrutural do setor na economia brasileira e sua importância para os segmentos de habitação, infraestrutura, urbanização e incorporação.

Mais do que o saldo mensal, o estoque de empregos oferece um termômetro importante da capacidade de sustentação da atividade. Mesmo com a desaceleração das admissões, a base ocupacional do setor segue elevada.

São Paulo, Bahia, Pernambuco e Minas lideram geração de empregos na construção

No recorte por estados, São Paulo abriu 1.333 empregos na construção em setembro. Também se destacaram Bahia, com 1.914 vagas, Pernambuco, com 1.903, e Minas Gerais, com 1.680.

Os números mostram que a geração de postos continua concentrada em mercados com maior volume de obras, investimentos e dinâmica imobiliária. Para empresas e entidades setoriais, esse mapa regional ajuda a orientar decisões de expansão, mobilização de equipes e alocação de capital.

Estados com saldo negativo mostram cenário regional mais desigual

Por outro lado, a construção fechou empregos em setembro no Rio de Janeiro, Acre, Rondônia, Maranhão, Piauí, Goiás, Santa Catarina e Mato Grosso. O resultado indica que a desaceleração não se distribui de forma homogênea e já afeta parte dos mercados regionais com maior intensidade.

A combinação entre saldo positivo no plano nacional e retração em estados específicos reforça um cenário mais fragmentado para o setor. Para líderes da construção, a tendência exige acompanhamento mais próximo dos indicadores regionais, já que o desempenho do emprego tende a antecipar movimentos da atividade nos próximos meses.