Apesar de um crescimento expressivo de 120% na presença feminina na construção civil nas últimas duas décadas, conforme dados do IBGE, as mulheres ainda enfrentam barreiras como estereótipos, preconceitos e baixa representatividade, ocupando apenas 2,5% da força de trabalho no setor. Mesmo assim, elas têm se destacado em áreas estratégicas, como gestão de obras e execução de projetos, contribuindo com maior organização, atenção aos detalhes e habilidades de comunicação, fatores que impulsionam a inovação e a eficiência na indústria. Neste contexto, o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, celebrado hoje, reforça a importância de ampliar a inclusão e a valorização feminina em um mercado essencial para o desenvolvimento econômico e social.
Um levantamento recente da HM Engenharia, empresa de soluções imobiliárias, destaca avanços significativos na busca pela equidade de gênero. De acordo com os dados internos, as mulheres ocupam atualmente 66,7% dos cargos de diretoria, um aumento expressivo de quase 25% em relação ao mesmo período do ano passado, quando representavam 50% dessas posições. Além disso, 47,7% das lideranças da companhia são femininas, reforçando o compromisso da empresa com a inclusão e a valorização da diversidade no ambiente corporativo.
Essa transformação se reflete nas trajetórias de mulheres que desafiaram barreiras e abriram caminho para novas gerações. Um exemplo é Aline Imaculada Santos, coordenadora de Obras da HM Engenharia, que há 12 anos iniciou sua carreira como estagiária e testemunhou de perto as mudanças na participação feminina nos canteiros de obras e nas equipes de engenharia.
Para Aline, um dos maiores desafios ainda está na percepção equivocada de que mulheres seriam mais frágeis para atuar no setor. “A nossa área ainda é muito masculina e, muitas vezes, existe uma resistência inicial. Para conquistar espaço, o esforço acaba sendo maior. Ao mesmo tempo, acredito que as mulheres têm muito a agregar com sua capacidade de compreender melhor os contextos humanos e de lidar com as pessoas de forma mais empática”, afirma.
Ela também destaca a evolução significativa da presença feminina nos últimos anos. “Quando comecei minha carreira, esse cenário era bem diferente. Hoje existe mais abertura para as mulheres no campo e mais oportunidades para que elas assumam posições de liderança. É uma mudança importante, que mostra como o setor está evoluindo”, observa Aline, reforçando o impacto positivo da diversidade na construção civil.
Para a gerente de Gestão, Qualidade e ESG da HM Engenharia, Ivânia Serazzi Melchert alguns estereótipos ainda persistem, especialmente a ideia de que determinadas competências seriam exclusivas dos homens. “Liderança, organização, planejamento, comunicação e capacidade técnica não dependem de gênero. A engenharia é uma profissão para pessoas determinadas, curiosas e comprometidas com a solução de problemas”, destaca.
Ivânia também chama atenção para outro preconceito com a maternidade. “A experiência mostra que ser mãe não reduz a competência ou a produtividade. Com apoio adequado, as profissionais podem desenvolver plenamente suas carreiras e contribuir de forma valiosa para as organizações”, diz.
Dados do Instituto Mulher em Construção (IMEC) reforçam a relevância dessa discussão. Enquanto o setor de construção civil enfrenta dificuldades para contratar mão de obra em diversas regiões do país, milhares de mulheres buscam oportunidades para conquistar renda e recomeçar suas trajetórias. Uma pesquisa do IMEC revela que a autonomia financeira é um dos principais fatores que levam mulheres a ingressarem na construção civil, evidenciando o potencial transformador do setor na vida dessas profissionais.