O concreto é formado por cimento, água e agregados, mas são justamente os agregados que representam a maior parte do volume e influenciam diretamente na qualidade final. Nos últimos anos, mudanças na granulometria e o uso de agregados artificiais vêm ganhando espaço, trazendo ganhos de precisão, produtividade e sustentabilidade.
Francisco Holanda, diretor técnico da Holanda Engenharia, e Benito Bottino, diretor técnico da Sobratema, compartilharam experiências que mostram como essas inovações estão impactando obras no Brasil e no exterior.
A tendência dos agregados menores
Segundo Benito Bottino, a tradicional Brita 1 (10 a 20 mm) vem sendo substituída por agregados menores, entre 12 e 14 mm. “Isso não é de agora, já acontece há alguns anos e está irradiando pelo Brasil”, explicou.
Essa mudança acompanha a evolução estrutural: pilares e vigas cada vez mais delgados exigem concretos mais trabalháveis, capazes de passar por armaduras densas sem falhas.

Microconcreto e estruturas esbeltas
Francisco Holanda destacou que concretos de alta resistência, chegando a 80 MPa em São Paulo, demandam granulometria reduzida. “O resultado final é um concreto bem acabado, uma estrutura elegante e com excelente durabilidade”, afirmou.
O microconcreto, com agregados menores, facilita o uso em pré-moldados e estruturas protendidas, garantindo acabamento superior e maior precisão dimensional.
Pré-moldados e produtividade
A industrialização das obras também impulsiona a demanda por agregados menores. “A granulometria máxima aqui é 12 mm. Essa necessidade exigiu que as pedreiras se atualizassem, com mais estágios de britagem”, explicou Bottino.
Holanda complementou que o uso de pré-moldados traz vantagens como rapidez, menor impacto na vizinhança e redução da necessidade de mão de obra intensiva.

Bombeamento e autoadensáveis
Com o avanço do concreto bombeado e autoadensável, a granulometria pequena se tornou indispensável. “Ninguém quer levar concreto no ombro prédio acima. Para bombear bem, o agregado não pode ser grande”, destacou Bottino.
Holanda reforçou que o concreto autoadensável, sem necessidade de vibração, depende de agregados finos e bem peneirados para preencher espaços confinados sem falhas.
Areia artificial e aproveitamento do pó de pedra
A produção de agregados menores gera inevitavelmente mais pó de pedra. Esse material, antes tratado como rejeito, vem sendo utilizado como areia artificial. “Nós temos pelo menos 5 milhões de m³ de concreto com 100% de areia artificial em obras como a hidrelétrica de Lauca, em Angola”, relatou Holanda.
O uso controlado do pó de pedra evita passivos ambientais e garante concretos mais uniformes, sem matéria orgânica, aumentando a durabilidade.
As inovações nos agregados mostram que detalhes aparentemente simples, como o tamanho e a forma das partículas, têm impacto direto na produtividade e na qualidade das obras. Com granulometria menor, agregados cúbicos e uso de areia artificial, o setor da construção civil ganha em precisão, durabilidade e eficiência.