O novo marco do saneamento estabelece metas ambiciosas: até 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e mais de 90% ao tratamento de esgoto. Para empresas como a Sabesp e a Aegea/Corsan, isso significa investimentos bilionários e a necessidade de adotar tecnologias que tornem a expansão das redes mais rápida, precisa e eficiente.

A universalização exige investimentos bilionários e soluções inovadoras. Os altos investimentos revelam a dimensão do esforço necessário e reforçam a importância de tecnologias capazes de acelerar obras, reduzir custos e minimizar impactos em áreas densamente urbanizadas.

Nesse contexto, ferramentas como modelagem BIM e gêmeos digitais, métodos não destrutivos (MND), telemetria avançada, inteligência artificial e sensores de última geração já estão transformando a forma como concessionárias planejam e executam projetos.

Esse assunto foi debatido durante o Concrete Show 2025, confira a seguir!

O desafio da universalização

Angel Ibanez, diretor de suprimentos da Sabesp, destacou que a companhia deve universalizar o atendimento até 2029, quatro anos antes do prazo nacional. “Isso representa cerca de 70 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos”, afirmou.

Grande parte das obras envolve prolongamento de redes de água e esgoto, exigindo soluções que reduzam impactos urbanos e aumentem a produtividade.

Inovação na engenharia de saneamento

Breno Coutinho, diretor de engenharia da Aegea Saneamento, ressaltou que 65% a 70% dos investimentos são em redes e ligações domiciliares. “Do ponto de vista de engenharia, é simples: abrir uma vala e instalar tubulação. Mas em áreas urbanas densas, isso é extremamente complexo”, explicou.

Para enfrentar esse desafio, o setor vem adotando tecnologias como drones para levantamento aerofotogramétrico, modelagem BIM e gêmeos digitais, que reduzem prazos e custos de projeto em até um terço.

Métodos não destrutivos e obras urbanas

Em grandes centros como São Paulo, abrir valas profundas é inviável. Por isso, a Sabesp tem utilizado métodos não destrutivos (MND), como furos direcionais e mini-shields, semelhantes aos usados no metrô. “Essas tecnologias reduzem drasticamente o impacto em regiões densamente ocupadas”, destacou Ibanez.

O uso de GPS e joysticks permite instalar tubulações a até 10 metros de profundidade sem necessidade de escavações abertas.

Gerenciamento de obras de saneamento.jpg

Inteligência artificial e combate às perdas

Um dos maiores desafios é a perda de água. “A Sabesp perde quase 35% da água que gera, sendo 25% por vazamentos e 10% por perdas comerciais”, revelou Ibanez.

A aplicação de sensores e inteligência artificial já permite identificar anomalias em tempo real, apontando regiões com vazamentos ou furtos. Breno complementou: “A IA nos ajuda a transformar dados em ação, reduzindo tempo e recursos desperdiçados”.

Barreiras e oportunidades

Apesar dos avanços, ainda existem barreiras como infraestrutura antiga, falta de capacitação e entraves regulatórios. Ibanez lembrou que, como empresa pública, a Sabesp enfrentava limitações em licitações que dificultavam a adoção de novas tecnologias.

“Agora, com o modelo privado, temos mais liberdade para avaliar alternativas e considerar o custo total, não apenas o investimento inicial”, disse.

Coutinho acrescentou que hubs de inovação e parcerias com startups têm ampliado as soluções disponíveis para o setor.

A expansão da rede de saneamento exige mais do que investimentos: demanda inovação, eficiência e novas formas de gestão. Tecnologias como BIM, métodos não destrutivos e inteligência artificial já estão transformando a forma como as concessionárias planejam e executam obras.

“Sem tecnologia, é impossível atender esse volume de investimentos e metas de universalização”, finaliza Ibanez.