O mercado de carbono é uma das principais ferramentas globais para reduzir emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, a aprovação da Lei Nº15.042/2024, que cria o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) marca um novo capítulo para indústrias intensivas em carbono, como cimento e siderurgia.
A partir de 2028, grandes emissores terão de reportar e compensar suas emissões, o que exigirá investimentos em inovação, eficiência e novas rotas tecnológicas. Durante o Concrete Show 2025, especialistas debateram o assunto, saiba mais a seguir!
Regulamentação e diferenças em relação ao mercado voluntário
Helena Guerra, diretora de sustentabilidade da CSN, explicou que o SBCE funcionará de forma semelhante ao modelo europeu, com permissões de emissão que serão reduzidas ao longo dos anos. “Quem emitir mais do que lhe permite vai ter que comprar créditos de outro que emita menos”, destacou.
Ela também diferenciou o mercado regulado do voluntário, em que empresas compram créditos de projetos florestais ou de energia renovável sem obrigação legal.

Estratégias empresariais para reduzir emissões
Ian Correa, vice-presidente de operações do Grupo Aço Cearense/Sinobrás, ressaltou que sua empresa já adota práticas de baixo carbono, como uso de carvão vegetal de florestas plantadas, sucata metálica como matéria-prima e energia hidrelétrica. “Hoje temos 0,18 tonelada de CO₂ equivalente por tonelada de aço produzido, contra uma média nacional de 1,7”, afirmou.
Segundo ele, além de cumprir a lei, é preciso que as empresas tenham propósito e responsabilidade própria para avançar na descarbonização.
Desafios tecnológicos e transição justa
Helena destacou que rotas tecnológicas diferentes precisam ser consideradas na regulamentação. “Não adianta comparar uma usina de 80 anos com uma planta moderna baseada em hidrogênio. A transição tem que ser justa e apoiada pelo Estado”, disse.
Ela alertou que sem mecanismos de proteção, a indústria nacional pode perder competitividade frente a importações de países que não pagam pelo carbono emitido.

Oportunidade de inovação e papel da academia
O professor Rafael Pileggi, da USP, avaliou que o mercado regulado é uma oportunidade para estimular inovação. “Sem uma boa regulamentação, todo mundo deixa para amanhã o que deveria fazer hoje”, afirmou.
Ele defendeu que a lei seja acompanhada de subsídios e programas de pesquisa e desenvolvimento, integrando academia e indústria. “As maiores inovações muitas vezes nascem dentro das empresas e precisam ser validadas pela academia”, completou.
O mercado de carbono regulado representa um divisor de águas para setores intensivos em emissões. Mais do que uma obrigação legal, é uma oportunidade para modernizar processos, investir em eficiência e fortalecer a competitividade da indústria brasileira.
“A regulamentação é necessária, mas precisa vir acompanhada de mecanismos de incentivo e apoio para que a inovação aconteça”, finaliza Pileggi.
LEIA TAMBÉM:
Mercado de carbono: estratégias para aço e concreto
Descarbonização na construção: soluções estruturais sustentáveis e viáveis
Economia circular na cadeia do concreto
Certificações ambientais e o valor de mercado das obras
Tags