Durante o Concrete Show 2025, o painel Retrofit de edifícios: a cidade do futuro se constrói no presente” reuniu especialistas para discutir como a requalificação de imóveis pode transformar centros urbanos e promover sustentabilidade.

A moderadora Fabíola Beltrame, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destacou a relevância do tema: “Um edifício retrofitado tem que ter as mesmas condições de um edifício novo. Não podemos simplesmente abandonar os edifícios antigos e deixá-los ir à ruína”.

Políticas públicas: incentivo ao retrofit em São Paulo

O representante da Prefeitura de São Paulo, Jacques Felipe Vieira, apresentou o programa de subvenção econômica para requalificação de imóveis no centro da cidade. A iniciativa prevê até 25% de subsídio sobre o valor das obras, priorizando habitação de interesse social, imóveis tombados e projetos sustentáveis.

Segundo Vieira, o objetivo é atrair 200 mil novos moradores para o centro em 20 anos: “Um incentivo desse tipo demora um tempo para engatar, mas já vemos projetos que só saíram do papel porque a conta começou a fechar com a subvenção”.

Entre os casos já contemplados estão o Edifício Taquari, na Avenida Ipiranga, e o clássico Edifício Virgínia, ambos em processo avançado de obras.

Arquitetura e revitalização cultural

O arquiteto Pedro Bruna, do escritório Paulo Bruna Arquitetos Associados, compartilhou experiências de retrofit em São Paulo, incluindo projetos em parceria com a Cohab. Ele ressaltou o impacto positivo dessas intervenções: “Antigamente falávamos em projetos de acupuntura urbana. Você faz um retrofit aqui, outro ali, e a energia começa a se espalhar. É lindo ver como a cidade se transforma”.

Bruna também destacou a importância da arquitetura como agente de revitalização cultural, citando o caso do Teatro Cultura Artística, reconstruído após o incêndio de 2008.

Cases de sucesso no Nordeste

O CEO da Moura Dubeux Engenharia, Diego Villar, apresentou projetos de retrofit realizados em cidades como Recife e Salvador. Um dos destaques foi o Moinho Pilar, antigo silo de grãos transformado em empreendimento residencial e empresarial: “O que antes armazenava grãos agora armazena sonhos. Preservamos a história e demos um novo uso ao espaço”.

Outro exemplo foi o retrofit do Hotel Othon, em Salvador, convertido em complexo residencial de alto padrão. Villar ressaltou ainda o impacto social dos projetos: “Treinamos e contratamos moradores de comunidades próximas, mais de 50% mulheres, promovendo inclusão social e de gênero”.

Retrofit como caminho para cidades resilientes

O painel reforçou que o retrofit vai além da reforma: é uma estratégia de sustentabilidade, inclusão e valorização do patrimônio. Ao unir políticas públicas, arquitetura e investimento privado, o Brasil começa a consolidar um movimento capaz de transformar centros urbanos em espaços mais vivos e resilientes.