A presença feminina na engenharia ainda é um desafio no Brasil. Segundo dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), as mulheres representam apenas 20% dos profissionais registrados nos 27 Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREAs).
Do total de 1,1 milhão de profissionais do setor, apenas 200 mil são mulheres, incluindo engenheiras, agrônomas, meteorologistas, geógrafas e geólogas, entre outras profissões do sistema.
Apesar da baixa representatividade, muitas engenheiras vêm rompendo barreiras e se destacando em diversas áreas do setor, mostrando a força feminina no segmento construtivo, e provando que a presença delas precisa e deve continuar crescendo.
Neste cenário, Priscila Bezerra, convidada especial da 79ª edição do PoeiraCast, realizada diretamente da 15ª edição do Concrete Show, conversou com duas profissionais que vêm fazendo a diferença na área construtiva: Wanessa Rolim, proprietária da Rolimtech, e Gisele Lisboa, Gerente Nacional em Revendas Especializadas Sika.
Elas compartilharam as suas experiências, os desafios enfrentados e as conquistas que mostram que a engenharia também é lugar para mulheres, e que elas podem fazer toda a diferença para uma área de construção civil cada vez mais forte.
Acompanhe mais do que elas disseram abaixo!
Liderança além do gênero: abordagem e segurança como diretrizes
“Toda vez que alguém fala sobre esse tema [feminismo], eu falo que eu não vejo dificuldade nenhuma. Porque eu não me coloco na situação de vítima e eu nunca me coloquei nesse lugar”, diz Wanessa Rollim.
Ela complementa: “Eu entro e saio de qualquer lugar com muito respeito, sou muito respeitada em todo lugar que eu vou, então não vejo dificuldade ou qualquer diferença pelo fato de eu ser mulher na construção civil.”
A engenheira acredita que o respeito no ambiente de trabalho vem da postura e da capacidade de liderança, algo que pode ser o diferencial para um ambiente de trabalho de sucesso.
Rolim conta que o seu perfil profissional sempre foi voltado para a execução de projetos, o que, segundo ela, exige uma abordagem firme e segura. Isso, de acordo com a especialista, é algo que surge de forma natural.
“Meu perfil mesmo é executora, então o jeito de eu falar já é mais firme e impõe certo respeito. Quem entra na construção civil geralmente é quem impõe o poder pela força, e então é preciso conseguir balancear e voltar para o natural da liderança”, diz a especialista.
Ela destaca ainda que muitas mulheres que ingressam na área sentem a necessidade de adotar um comportamento mais rígido ou até mesmo masculinizado para serem levadas a sério.
No entanto, Wanessa alerta para os riscos desse caminho. “Às vezes achamos que temos que usar uma capa, um estereótipo masculino, para estarmos inseridas naquele meio, e na realidade não precisamos.”
Segundo a engenheira, é possível manter a identidade e a feminilidade sem comprometer a credibilidade no ambiente profissional. Para ela, o verdadeiro respeito vem das atitudes e da eficiência no trabalho.
“Você, através das atitudes, impõe esse respeito. E sem a questão da sua roupa, daquele estereótipo, estar transmitindo essa postura”, observa a engenheira.
O mercado ainda apresenta desafios, mas exemplos como o dela reforçam que as mulheres têm cada vez mais espaço e voz na engenharia, sem precisar abrir mão de quem são para conquistar o respeito e o reconhecimento que merecem.
Estratégia, humildade e sinergia no canteiro de obras
Para muitas mulheres, a entrada no mercado da construção civil ainda vem acompanhada de desafios.
Gisele Lisboa da Sika, destaca que a recepção nem sempre é imediata, mas que existem estratégias para conquistar o respeito e a confiança dos colegas de profissão.
“Em obra, às vezes a gente sempre vai se deparar com profissionais que já trabalham no mercado há muito tempo, e que podem olhar e pensar ‘O que essa menina está fazendo aqui?’”. Segundo ela, nessas situações, a humildade se torna uma ferramenta essencial.
“Temos vários profissionais excelentes na área, que muitas vezes temos que pegar a cadeirinha e sentar para poder aprender com eles. Eu vejo que isso faz total diferença”, salienta Gisele.
A engenheira explica que a comunicação não verbal e o posicionamento são fundamentais para criar um ambiente de respeito e colaboração. Ainda segundo ela, também é importante desenvolver uma estratégia para conquistar a confiança dos profissionais experientes.
“No primeiro momento é preciso desenvolver uma estratégia para conquistar a confiança das pessoas. E então é possível mostrar que temos um grande potencial e conhecimento, que estudamos para isso e que podemos compartilhar isso com outras pessoas”, relata a especialista.
Para ela, estar presente no campo e compartilhar conhecimento é um diferencial, algo que pode ser de grande importância para outras mulheres do setor.
“Eu amo canteiro de obra, compartilhar e disseminar conhecimento com outros profissionais. Somos uma empresa líder em impermeabilização, e quando falamos sobre inovação e tecnologia, é algo que gosto de compartilhar com os clientes.”
Gisele também destaca a importância da complementaridade entre homens e mulheres na construção civil, reforçando que a união entre os gêneros é a chave para o sucesso, extraindo o melhor de cada profissional.
“Eu vejo que a força e a inteligência do masculino e do feminino se completam. A força do homem com a delicadeza e a sensibilidade da mulher. E, quando temos essa sinergia e dualidade, alcançamos resultados incríveis.”
O depoimento de Gisele reforça que a presença feminina na engenharia não apenas enriquece o mercado, mas também fortalece a troca de conhecimentos e a inovação dentro do setor.
Com profissionalismo, estratégia e autoconfiança, as mulheres continuam conquistando cada vez mais espaço e reconhecimento na construção civil. Em um mundo cada vez mais plural, é nossa torcida para que essa representatividade siga crescendo, e que elas conquistem cada vez mais espaço neste e em outros meios.
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