A construção hospitalar é uma das tipologias mais complexas da engenharia civil. Diferente de edifícios comerciais ou residenciais, hospitais exigem atenção especial às normas sanitárias, planejamento estratégico e tecnologias que garantam segurança, eficiência e continuidade da operação.
Como lembraram Simone Almeida, da Método Engenharia, e Juliana Rossato, da Construtora Tedesco/HTB, “o hospital não para nunca: funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana”, durante painel no Congresso Construindo Conhecimento, no Concrete Show.
Esse cenário impõe desafios únicos: obras em ambientes em funcionamento, densidade elevada de instalações, necessidade de redundância em sistemas críticos e integração de múltiplas disciplinas. Além disso, a busca por sustentabilidade e certificações internacionais, como o LEED Gold, amplia ainda mais a responsabilidade das construtoras.
Confira mais sobre o assunto a seguir!
Normas, planejamento estratégico e complexidade
A RDC 50 da Anvisa é a principal referência normativa para projetos hospitalares, estabelecendo requisitos de infraestrutura, segurança e operação. O plano diretor é outro elemento essencial, definindo desde o início as demandas específicas de cada hospital e orientando o desenvolvimento do projeto, seja para pronto atendimento, alta complexidade, SUS ou privado.
Juliana Rossato destacou que “quanto maior a complexidade do atendimento, maior o custo das instalações”. Sistemas de climatização com filtros especiais, gases medicinais, redundância elétrica e correio pneumático são apenas alguns exemplos da densidade técnica que diferencia obras hospitalares.
Tecnologia aplicada à construção hospitalar
As especialistas trouxeram exemplos de como a inovação e o uso da tecnologia têm sido decisivos para superar desafios:
- Laser scan e nuvem de pontos para levantamentos precisos em retrofits;
- Metodologia BIM e modelagem 5D para compatibilização de projetos, planejamento físico-financeiro e gestão pós-obra;
- Industrialização e uso de estruturas metálicas para acelerar prazos em obras emergenciais, sem comprometer o conforto e a humanização dos ambientes.

Casos de referência
Elas ainda comentaram sobre cases de refência em hospitais brasileiros. Confira:
- Hospital Edmundo Vasconcelos (SP): retrofit do centro cirúrgico iniciado durante a pandemia, com uso de laser scan e BIM para compatibilização;
- Hospital Nora Teixeira (RS): novo hospital da Santa Casa de Porto Alegre, com 30 mil m² e modelagem BIM desde a orçamentação;
- Hospital Sírio-Libanês (SP): expansão certificada LEED Gold, com soluções acústicas e uso de drywall especificado para atender normas hospitalares;
- Hospital Moinhos de Vento (RS): diversas ampliações, incluindo bloco metálico entregue em prazo recorde para atender demanda emergencial de leitos.
A construção hospitalar exige estratégias de engenharia avançada, demanda inovação, planejamento e sensibilidade para o impacto humano.
Normas rigorosas, tecnologias avançadas e soluções industrializadas estão redefinindo a forma como hospitais são projetados e executados.“Cada projeto hospitalar é tratado com atenção, respeito e propósito, porque impacta diretamente muitas vidas”, finaliza Simone Almeida.
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