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Sinergia entre o BIM e a industrialização em concreto

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Escrito por Íria Lícia Oliva Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).

O Building Information Modeling (BIM) é considerado uma solução completa, capaz de quebrar paradigmas ao criar e manter informações multidimensionais ao longo do ciclo de vida de um empreendimento, possibilitando compartilhar, colaborar, simular e otimizar dados e conhecimento entre construtoras, incorporadoras e escritórios de arquitetura e de projetos. 

Com nove dimensões - implementação (1D), ambiente colaborativo (2D), modelagem tridimensional (3D), gerenciamento integrado de prazos (4D), gerenciamento de custos (5D), desenvolvimento sustentável de projetos e sua relação com as emissões de CO² (6D), manutenção e operação do ambiente construído (7D), segurança e saúde ocupacional desde o projeto (8D) e introdução da filosofia lean (9D), o BIM tem sido aplicado cada vez mais no setor da construção, especialmente em empresas com visão sistêmica e integrada, o que inclui o segmento de pré-fabricado de concreto. 

Nesse contexto, o professor Ignasi Perez Arnal, sócio fundador da BIM Academy, criador e diretor técnico da Cúpula Europeia do BIM, tem trazido o conceito da décima dimensão do BIM (10D). E, o que chama a atenção é que todas as dimensões do BIM têm uma meta comum: a industrialização da construção civil, ou seja, transformar a construção num setor mais produtivo, integrando as novas tecnologias por meio da digitalização. Assim, ao avaliar resumidamente as nove dimensões, a conclusão é que, de fato, o “norte” aponta para a industrialização.

Tanto a industrialização em concreto como o BIM exigem planejamento antecipado, visão sistêmica dos empreendimentos, avaliação e resolução prévia de todas as interfaces, alta qualidade e precisão de projetos, a fim de garantir a exatidão no estabelecimento de prazos e custos, extrema redução de desperdícios e perdas com retrabalhos, qualidade e sustentabilidade. 

Além de ser um indutor do desenvolvimento do setor, a tecnologia contribui para que todos os intervenientes do projeto trabalhem de forma coordenada, melhorando a produtividade na fase de projeto e no planejamento das operações na fábrica, na montagem e na execução da obra, e permitindo a compatibilização e integração quando há dois ou mais sistemas construtivos. 

Há mais de uma década, a indústria de pré-fabricados de concreto tem implementado o BIM nas obras. Um case importante dessa época foi a construção da unidade Alphaville do laboratório Fleury, em Tamboré (SP), pela Matec Engenharia, que utilizou a plataforma BIM como importante apoio para as etapas de compatibilização de projetos, planejamento e execução. Nesse projeto, a modelagem 3D possibilitou atender o curto prazo de execução da obra, que era de seis meses, garantindo qualidade e produtividade.

Atualmente, o setor tem inúmeros projetos com aplicação da tecnologia, desde empreendimentos imobiliários, industriais e comerciais, passando pela área de infraestrutura até obras especiais. Um empreendimento, que recentemente, venceu os principais prêmios relacionados à construção, o Parque da Cidade teve seu projeto feito 100% em BIM, desde o escaneamento do terreno, com a compatibilização entre arquitetura, planejamento e engenharia. 

Outro projeto em BIM foi o parque fabril da Biamar Malhas e Confecções, em Farroupilha, no Rio de Grande do Sul. As armaduras modeladas em 3D foram todas exportadas através de arquivos BVBS, podendo ser integradas nas máquinas do processo produtivo. Com isso, a comunicação entre projeto e fabricação ganhou muita agilidade, devido aos detalhamentos de armaduras irem direto para o software que imprime as etiquetas para posterior corte e dobra das armaduras, eliminando - desta forma - a necessidade de o operador da máquina ficar "desenhando" as barras novamente.

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Na área de infraestrutura, o uso do BIM permite um estudo detalhado dos elementos pré-moldados, assim como de seus encaixes. Para a obra de arte especial “Viaduto Casimiro de Abreu”, na Autopista Fluminense, por exemplo, foi necessário desenvolver os elementos estruturais um a um porque eles não seguiam a convenção dos programas de modelagem 3D. Além disso, foi utilizada uma impressora 3D para impressão dos elementos estruturais da obra em escala reduzida, o que possibilitou simular os encaixes, etapas de montagem, assim como identificar possíveis interferências que poderiam passar despercebidas e viriam a ser um problema apenas na etapa de obra.

Contudo, existem ainda desafios a serem vencidos, como as interfaces dos subsistemas que geram grande amplitude de intervenientes dos processos e que, por vezes, estão em diferentes “timings” de implementação. Mas, certamente, a questão cultural ainda é a barreira que mais dificulta uma maior aplicação das fases mais abrangentes do BIM, porque há certa resistência em utilizá-lo nos próximos níveis, exigindo o trabalhando integrado de todos os projetos e também requerendo que todas as decisões sejam feitas no escritório, antes que ocorram as incompatibilidades de projetos na obra.

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*Íria Lícia Oliva Doniak é a presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic). Durante a carreira, atuou em usina de concreto, na indústria cimenteira (Votorantim Cimentos) e foi consultora nas áreas de controle de qualidade e pesquisa e desenvolvimento na indústria de pré-fabricados. Foi também, ao mesmo tempo em que atuou com consultoria, auditora líder do BVQI (Bureau Veritas Quality International), tendo auditado empresas construtoras e canteiro de obras de edificações e infraestrutura em todo o Brasil.  Engenheira Civil, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná em 1988, atualmente cursando o MBA–FGV em economia com ênfase em Relações Governamentais.

TAG: Gestão BIM
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