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Os novos desafios com a digitalização da construção

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Escrito por Íria Lícia Oliva Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).

A pandemia da Covid-19 acelerou a transformação digital em praticamente todas as atividades econômicas. Na construção civil não foi diferente, uma vez que a cadeia produtiva precisou se adaptar ao contexto atual, mesmo o setor tendo sido considerado essencial no país. 

Uma pesquisa realizada pela startup Prospecta Obras em maio do ano passado, e que mapeia obras em andamento no país, mostrou que 87% das empresas entrevistadas pretendiam aumentar os investimentos em inovação e novas tecnologias. Entre as tecnologias mais promissoras estão a Inteligência Artificial, Big Data e o uso de drones. 

Certamente, essa perspectiva positiva dependerá de uma série de fatores, desde a celeridade da campanha de imunização, passando pelas reformas governamentais até as questões ligadas ao setor, como os impactos dos preços e da falta de insumos, que geram um cenário de instabilidade em contratos e produção. 

É importante destacar que a aplicação de tecnologias e a transformação digital, somada à mudança do canteiro de obras para um canteiro de montagem e o crescimento de processos industrializados, são fundamentais para a melhoria da competitividade e da produtividade. Com isso, as empresas se tornarão mais disruptivas, competitivas e eficientes. 

Ademais, a tendência da implantação de tecnologias da Construção 4.0 é global e interfere sobremaneira na produtividade e competitividade da indústria. Empresas mais inovadoras e com um viés digital apresentam um potencial de quebrar paradigmas e liderar mercados, estabelecendo novas diretrizes a serem seguidas. Se observamos o setor automotivo e a área de tecnologia, fica perceptível que apostar em inovação é fundamental para se manter no topo do mercado de atuação. 

Além disso, a indústria pode agregar mais inovação e agilidade em seus processos organizacionais, por meio da participação de ecossistemas de startups e empreendedorismo, que apresentam tendência e expectativas dos mercados. As construtechs têm sido fundamentais nesse processo de transformação, oferecendo tecnologias para aprimorar todas as etapas de uma obra, dentro ou fora do canteiro. 

Contudo, não basta implementar novas tecnologias ou interagir com construtechs e em ambientes de empreendedorismo, é preciso valorizar também o capital humano, ou seja, capacitar os profissionais da indústria que estarão lidando diariamente com esses processos, que podem ser até disruptivos. O processo de atualização e aprendizado ao longo da vida será contínuo, com permanentes requalificações. O objetivo, afinal, é conseguir obter o máximo de cada inovação. 

É imprescindível valorizar a experiência profissional, pois as tecnologias não substituirão os anos de dedicação e experiência dos profissionais. Um bom exemplo está na área de projetos: apesar da evolução a passos largos dos softwares, não há como dispensar a visão de um projetista experiente na proposta de soluções e análises posteriores.   

No caso das universidades de engenharia, será importante a inclusão e/ou adequação das disciplinas, a fim de preparar esse futuro profissional para atuar em projetos usando as diversas dimensões do Building Information Modeling (BIM) e outras tecnologias, como a impressão 3D, drones, robótica, entre outros. 

Outro ponto a ser considerado é que novas vagas podem ser criadas na indústria da construção. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), publicado antes da pandemia, projetava a criação de oportunidades profissionais em cinco áreas distintas: integrador de sistema de automação predial, técnico de construção seca, técnico em automação predial, gestor de logística de canteiro de obras e instalador de sistemas de automação predial. 

Uma tendência apontada também nesse estudo foi o crescimento da importância das competências socioemocionais, as chamadas soft skills, que incluem a capacidade de trabalhar bem em equipe e a criatividade. Isso porque as estruturas empresariais tenderão a ser menos verticalizadas e a exigir uma rotina mais colaborativa para aumentar a produtividade.

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*Íria Lícia Oliva Doniak é a presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic). Durante a carreira, atuou em usina de concreto, na indústria cimenteira (Votorantim Cimentos) e foi consultora nas áreas de controle de qualidade e pesquisa e desenvolvimento na indústria de pré-fabricados. Foi também, ao mesmo tempo em que atuou com consultoria, auditora líder do BVQI (Bureau Veritas Quality International), tendo auditado empresas construtoras e canteiro de obras de edificações e infraestrutura em todo o Brasil.  Engenheira Civil, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná em 1988, atualmente cursando o MBA–FGV em economia com ênfase em Relações Governamentais.

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