Inovação e capacitação binômio inseparável

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Escrito por Paulo Camilo Penna, presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

A agenda da Indústria 4.0 (I 4.0) traz em destaque o estudo, desenvolvimento, implementação e a prática da inovação dentro das empresas.

Além disso, muitas delas têm acompanhado e adotado como cultura o ESG (da sigla, em inglês, que se refere a iniciativas nas áreas Ambiental, Social e Governança), conceito que reforça ainda mais a importância da I 4.0 e a ajuda na sua consolidação.

Todo esse cenário vem mudando a dinâmica de empresas tradicionais, cada vez mais interessadas em PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) e tem atraído investimentos, bem como capital humano especializado e talentoso. Isto é, profissionais capacitados e atentos às principais mudanças tecnológicas, também conhecidos no mercado como profissionais 4.0.

São indivíduos com formação multidisciplinar e flexível, além de domínio de novas ferramentas, idiomas e competências emocionais, capazes de se adaptarem a uma nova cultura de negócios e estarem habilitados para o desempenho de trabalhos colaborativos.

Esses novos profissionais da I 4.0 não desempenham funções repetitivas, pelo contrário. Lidam, de forma contextual e inovadora, com processos em que as atividades são mais complexas, eficientes e criativas.

Tal contexto acelerou o desenvolvimento de aplicativos (apps) e incentivou novos modelos de negócio como, por exemplo, o surgimento das construtechs em nosso setor.

No entanto, seja dentro da cadeia de valor do cimento ou produtiva da construção, se não houver um movimento integrado e coordenado, as soluções e tecnologias elaboradas para a indústria da construção não são absorvidas pelo mercado e se transformam em um elenco de boas ideias e iniciativas isoladas, distantes das implementações e aplicações práticas.

Se, por um lado, o setor da construção passa por mais uma grande revolução por força da I 4.0, com uma série de novos ativos - como modelos de inteligência artificial, ferramentas de big data e a robótica aplicada -, por outro, a industrialização por digitalização da atividade construtiva nos canteiros e na produção de materiais componentes ainda é muito pequena.

É justamente essa integração tecnológica e digital da atividade da construção com o profissional 4.0 que é essencial para garantir a alavancagem da prática de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) e,  consequentemente, a maior presença nas obras de soluções industrializadas e de pré-fabricados digitalizados.

Trata-se de uma grande oportunidade de ganhos de produtividade, competitividade e qualidade. Além, é claro, do grande potencial de redução de impactos ambientais, da melhoria na capacitação e formação dos principais agentes e do engajamento dos demais atores e agentes do setor.

Com essa percepção, o setor construtivo – por intermédio da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) e do SNIC (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento) – e o setor acadêmico (Universidade de São Paulo e Escola Politécnica) se uniram na criação do 1º espaço cooperativo de inovação e construção digital de base industrial do Brasil, o hub de Inovação e Construção Digital (www.hubic.org.br). 

O projeto está interligado ao Centro de Inovação em Construção Sustentável, CICS USP, um ecossistema de empresas e academia dedicado a promover a inovação, a sustentabilidade e a produtividade na construção civil.

Entre as linhas de atuação do hubIC - como é conhecido - se destacam a plataforma de construção digital para a produção de componentes e edificações por impressão 3D, o espaço de coworking para pesquisa e desenvolvimento de startups e empresas da cadeia de valor do cimento, além de um programa de educação continuada online voltado à inovação e indústria 4.0, juntamente com uma cátedra anual, que conta com profissionais de ponta do mundo para coordenar e promover pesquisas e transferir conhecimento e tecnologias aplicadas globalmente.

Tanto o espaço de coworking, que abrigará empresas, pesquisadores e startups, quanto o espaço laboratorial, em que serão produzidas peças a partir de impressão 3D em escala 1:1, estarão concluídos, até o final do ano, permitindo que se tragam equipamentos de players de mercado para dentro do laboratório, além de possibilitar que dispositivos e softwares sejam criados dentro da própria universidade.

Já em relação à Cátedra Ary Torres - nome de professor da Escola Politécnica da USP e primeiro presidente da ABCP -, o professor Kamal Khayat foi o pesquisador internacional escolhido para inaugurar o programa 2021. Com sólida carreira acadêmica e desde 2011 integrando o corpo docente da Universidade de Missouri, o canadense erradicado nos EUA é um dos grandes especialistas em concreto no mundo e reconhecido globalmente pelas pesquisas sobre temas como projetos e desempenho de materiais avançados de construção e reparo, incluindo concreto de alto desempenho; viscosidade, elasticidade e trabalhabilidade de materiais à base de cimento; otimização de aditivos químicos e materiais cimentícios complementares para concreto; reparação e reabilitação de infraestruturas de engenharia civil, entre outros temas de interesse do hubIC.

Esse espaço cooperativo destaca, de modo inequívoco, que a indústria brasileira do cimento está ciente de seu papel nos destinos do país. E assim, se empenha em debater e contribuir na superação de gargalos que impedem o desenvolvimento pleno da construção brasileira, como a indefinição de marcos regulatórios, necessidade de modernização de políticas públicas, incremento de investimentos, entre outras questões. 

A inovação tecnológica é de suma importância para o Brasil e respectiva construção civil.

O próprio desenvolvimento de novas variedades de cimento otimizadas para a construção digital tem grande atrativo, oferecendo a possibilidade de ajustar o aglomerante às diferentes necessidades dos clientes, o que nos ajudará na missão de nos mantermos atualizados e relevantes para o setor da construção civil. 

Uma vez que o desenvolvimento de soluções tecnológicas - que permitam a impressão 3D de componentes cimentícios de grandes dimensões, como casas, pontes, passarelas, vigas -, é objeto da corrida tecnológica internacional (World Economic Forum 2016), há um desejo latente e uma enorme possibilidade que o Brasil se consolide como um centro de inovação na área de máquinas e ferramentas, bem como de sistemas construtivos à base de cimento, em especial de concreto, em face da hegemonia deste material na construção brasileira.

É um caminho que oferece oportunidades gigantescas para o setor e para a sociedade, pelo aumento da produtividade e lucratividade, diminuição de custos e melhora na qualidade e desempenho das habitações, infraestrutura e, consequentemente, das cidades.

Para isso, no entanto, é preciso estimular a inserção e participação gradual de todas as empresas da indústria em soluções inovadoras, de acordo com as estratégias, políticas e os profissionais capacitados e cada vez mais preparados no setor. 

Trata-se de um investimento capaz de gerar competitividade em nível global, por meio da customização de produtos e novos perfis profissionais e de acelerar a transição da construção civil, com soluções competitivas que apresentem baixa pegada ambiental, alta produtividade e qualidade, difundindo soluções e ações que preparem o setor e a sociedade para a transição até uma economia digital e circular.

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* Paulo Camillo Penna é presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

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