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Industrialização e normalização adequada ampliam segurança nas obra

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Escrito por Íria Lícia Oliva Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).

A modernização das Normas Técnicas (ABNT) e das Normas Reguladoras (NRs) retratam a importância da segurança para o setor de construção. Ao promover um ambiente mais seguro para os trabalhadores e para o entorno, há uma redução de riscos e maior prevenção de acidentes, com diminuição dos impactos sociais e econômicos decorrentes de situações de perigo na obra. 

A industrialização contribui para a ampliação da segurança nas obras por diversos motivos. Primeiramente, o papel da indústria tem sido fundamental, pois, além de cumprir rigorosamente as normas técnicas e as NRs, vem promovendo programas para capacitação e qualificação profissional e adoção de boas práticas em todos os processos da obra. 

Um segundo motivo está ligado às características inerentes da industrialização. Uma obra com sistemas industrializados requer um planejamento assertivo em todas as fases, ou seja, desde o projeto, passando pela produção, logística e montagem, até a entrega da obra, aliado à integração com a gestão de qualidade, segurança e meio ambiente das empresas. Com isso, os riscos de acidentes diminuem consideravelmente, pois não há espaço para improvisos ou retrabalhos. 

Outra característica importante que contribui com a segurança é a transformação do canteiro de obras em uma área de montagem, reduzindo a movimentação e o número de pessoas no local e tornando o processo mais limpo e rápido. Desse modo, existe a possibilidade de implantar um sistema de proteção tanto coletivo como individual robusto, diminuindo desvios de comportamento. Nesse sentido, recursos como proteção de periferia rígida, pontos de ancoragem, linhas de vida permanentes ou temporárias para o trabalho em altura podem ser aplicados.

Em terceiro lugar, a gestão de pessoas é imprescindível nesse tema. Sem o estabelecimento de diálogos periódicos com os trabalhadores que atuam no canteiro, não se incentiva o engajamento e o comprometimento das pessoas em seguir as regras e os cuidados estabelecidos no programa de proteção. Como resultado, a chance de êxito na redução de riscos de acidentes diminui exponencialmente, pois nenhuma obra consegue monitorar todos os seus profissionais de maneira integral. 

Apesar de a segurança ter que ser tratada de forma global, no caso de obras com estruturas pré-fabricadas de concreto, a logística e a montagem são as duas etapas de maior atenção, por serem aquelas com riscos mais acentuados de acidentes. Na primeira, há o deslocamento das estruturas da fábrica ao canteiro, por isso é preciso dimensionar o transporte mais adequado para essa movimentação, evitando possíveis acidentes no trajeto. 

Já a segunda, exige conhecimento técnico e rigorosos procedimentos, que são detalhados no planejamento de montagem. É nesse momento, inclusive, que a equipe de profissionais consegue antever os gargalos e estudar a mitigação dos riscos explícitos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que está previsto na atual versão da NR-18. O objetivo é prevenir situações que possam afetar a segurança, garantindo a integridade da estrutura, mantendo o cronograma e assegurando o custo da obra.  

Pela montagem ser fundamental em uma obra pré-fabricada de concreto, somada às normas técnicas e às normas regulamentadoras, existe uma ferramenta bastante utilizada no mercado, que é o Manual de Montagem das Estruturas Pré-moldadas de Concreto. A publicação criada pela Abcic e lançada em 2019, durante o Concrete Show, detalha uma série de boas práticas e procedimentos de montagem, leva em consideração o aprendizado com o Selo de Excelência Abcic (Programa que atesta as fábricas em relação à qualidade, segurança e ao meio ambiente), cuja validação foi realizada por entidades importantes da área. O Manual de Abcic conta com sete capítulos, incluindo um específico sobre segurança do trabalho na montagem.  

Outros aspectos que requerem muita atenção também são as situações chamadas transitórias, que ocorrem desde a retirada das peças da forma na indústria até a efetiva montagem, e as ligações (união entre as peças no canteiro), pois diferem da construção convencional. A estabilidade global da estrutura, compreendendo, inclusive, as cargas durante a montagem, as quais a estrutura está sujeita, está contemplada na ABNT NBR 9062 - Projeto e Execução das Estruturas de Concreto Pré-moldado. Dessa forma, a não observância ou cumprimento de tais requisitos desde o projeto, bem como o Plano de Rigging, também obrigatório, com estudo minucioso das condições durante a montagem, podem culminar em acidentes.

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* Íria Lícia Oliva Doniak é a presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic). Durante a carreira, atuou em usina de concreto, na indústria cimenteira (Votorantim Cimentos) e foi consultora nas áreas de controle de qualidade e pesquisa e desenvolvimento na indústria de pré-fabricados. Foi também, ao mesmo tempo em que atuou com consultoria, auditora líder do BVQI (Bureau Veritas Quality International), tendo auditado empresas construtoras e canteiro de obras de edificações e infraestrutura em todo o Brasil. Engenheira Civil, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná em 1988, atualmente cursando o MBA–FGV em economia com ênfase em Relações Governamentais.

 

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